Imunização

Infectologista esclarece dúvidas sobre a vacina da AstraZeneca

Dr. José Amaral Elias fala sobre a ação da vacina, os possíveis efeitos colaterais e a importância de seguir com a imunização

Foto: Matheus Kurth
Especialista: o infectologista Dr. José Amaral Elias, esclarece as dúvidas sobre o imunizante.

Nas últimas semanas, uma série de dúvidas sobre possíveis efeitos colaterais causados pela vacina contra o coronavírus da AstraZeneca tem levantado preocupação nos grupos prioritários que devem ser imunizados nessa fase da campanha nacional, já que o número de doses desse imunizante que chegou às cidades é grande. Para esclarecer esses pontos, o Testo Notícias conversou com o infectologista da Secretaria de Saúde de Pomerode, Dr. José Amaral Elias.

Qual a diferença entre a Coronavac e a AstraZeneca?

De acordo com Dr. José, são vacinas de plataformas diferentes, de tecnologias distintas. "A base da Coronavac é de vírus inativado, uma tecnologia utilizada desde as primeiras vacinas. Então não temos vírus nenhum, é como se fosse apenas 'capinha' externa do vírus que vai induzir a formação de anticorpos", esclarece.

No caso da AstraZeneca, a tecnologia é mais recente, cuja base é um adenovírus, que não causa doença aos humanos. "Então temos esse adenovírus com uma parte do RNA do Coronavírus. Dessa forma, vai induzir a formação de anticorpos por outro mecanismo, a partir desse vírus, que acaba tendo mais efeitos."

Conforme o infectologista, os efeitos causados pela vacina podem ser: dores no corpo, dor de cabeça e febre, geralmente com quadros de curta duração.

O que fazer se tiver efeitos colaterais após tomar a vacina?

Muitos dos vacinados com doses da AstraZeneca não sentiram qualquer efeito adverso após a imunização. Isso porquê, depende não só de cada organismo, mas também do momento, ou seja, se recentemente a pessoa passou por um quadro viral, pode ter mais facilidade em experimentar algum efeito da vacina.

Como na grande maioria dos casos esses sintomas são leves e passageiros, o paciente pode utilizar medicamentos sintomáticos, ou seja, aqueles que tratam dor de cabeça e febre (como Tylenol e Dipirona). Caso se tornem intensos, a indicação é procurar por atendimento médico para que o profissional indique o tratamento mais acertado. "Essas vacinas são muito novas e estão numa fase que chamamos de farmacovigilância, como se fosse a fase 4 do estudo. Os imunizantes já estão em ação porque estamos em uma pandemia e precisamos diminuir a mortalidade. Então, nos quadros mais intensos é importante notificar para ser tratado de maneira adequada", orienta.

Utilização em grávidas e contraindicações

Dr. José explica que a vacina não é aplicada em crianças, pois essa modalidade não foi testada. Para mulheres grávidas, também não houve testes específicos, porém, como até mesmo no Brasil tem havido um grande número de gestantes que contraem o coronavírus e evoluem para quadros graves, a vacina havia sido liberada para imunizá-las. No entanto, com o registro da morte de uma gestante, que havia tomado a dose do imunizante recentemente, foi recomendada e acatada a suspensão da vacinação para esse público-alvo. "Não podemos dizer que a morte foi causada pela vacina, mas, por precaução, temos essa orientação", pontua.

No que diz respeito às informações de que a aplicação da AstraZeneca pode levar à formação de coágulos, Dr. José afirma que nenhum caso dessa natureza foi documentado no Brasil e há um baixo número de possíveis ocorrências nas demais nações do mundo. A indicação dele é que, caso tenham dúvidas, as pessoas que já tiveram trombose ou possuem alguma condição relacionada à coagulação sanguínea, conversem com o médico de confiança para tirar as dúvidas e ter a indicação ou a contraindicação da imunização.

Vacina da gripe e vacina contra o coronavírus

É importante que as pessoas entendam que cada imunizante age contra um tipo de vírus. Ou seja, mesmo que tenham sido vacinados contra o coronavírus, os integrantes dos públicos-alvo também busquem a aplicação da dose contra a Influenza. O que se indica, no entanto, é que o intervalo entre as duas vacinas seja de pelo menos duas semanas. "Como as duas vacinas não foram testadas ao mesmo tempo, o indicado é aguardar esse tempo para que o organismo absorva um imunizante para depois receber o outro."

Outro ponto importante é que as pessoas não deixem de tomar a segunda dose da vacina contra o coronavírus. Já que todos os estudos mostraram que a indução do número maior de anticorpos ocorre após a aplicação da segunda dose da vacina.

A vacina é o caminho

Dr. José destaca que os imunizantes são a forma de controlar a doença. "Hoje, nós já temos exemplos como o da Inglaterra, onde em breve a população será liberada de usar máscara em vários locais, por causa da vacinação. Israel é outro exemplo". Segundo ele, há também países como os Estados Unidos, que tiveram uma grande redução no número de casos e de óbitos e começam a retomar, inclusive, a economia.

O infectologista explica que essas vacinas ainda não são capazes de erradicar ou controlar completamente a Covid, mas, comprovadamente, reduzem a mortalidade. Para Dr. José, esse é o grande impacto dessa primeira geração de vacinas contra o novo coronavírus, preservar vidas.

"Pelo que já conhecemos de outros vírus, há muito tempo, sabemos que os medicamentos contra doenças virais não conseguem grande eficácia, inclusive em prevenção. Não existe medicamento que previna algum tipo de infecção viral. Mas que as vacinas são eficazes, de maneira secular. A humanidade tem hoje esse número de pessoas na terra por causa das vacinas, principalmente. Esse é o nosso caminho", conclui. 


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