Saúde

Vigilância em Saúde de SC orienta população e profissionais sobre cuidados com a enchente

28 Janeiro 2019 15:55:00

As enchentes e alagamentos que atingiram cidades catarinenses na quinta-feira dia (24) demandam cuidados por parte da população que tem contato com as áreas afetadas. A situação motivou a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) a reiterar as orientações aos moradores. Ao mesmo tempo, a Diretoria de Vigilância Sanitária (DIVS/SC) emitiu uma nota técnica com orientações para os profissionais que atuam nos órgãos de Vigilância Sanitária dos municípios e das regionais. Os dois órgãos são vinculados à Superintendência de Vigilância em Saúde (SUV).

ALERTAS À POPULAÇÃO 

A DIVE/SC alerta a população e os serviços de saúde para a possibilidade de aumento de agravos, como leptospirose e acidentes com animais peçonhentos, em períodos de chuva. 

"Uma das principais ocorrências após as inundações é o aparecimento de casos de leptospirose transmitida aos seres humanos pelo contato com água ou lama contaminadas pela urina de animais como ratos", alerta João Fuck, gerente da Gerência de Zoonoses da DIVE/SC. 

>> ACESSE O SITE COM ORIENTAÇÕES PARA LIDAR COM ENCHENTES

Os casos de leptospirose costumam aumentar quando as águas ainda estão baixando, ou quando as pessoas retornam às suas residências e fazem a limpeza das casas. Nesse momento, também é possível que ocorram acidentes com animais peçonhentos, como serpentes, aranhas e escorpiões, que procuram abrigo em locais secos e costumam invadir as residências. 

As enchentes e alagamentos também costumam causar doenças de transmissão respiratória, como influenza, meningites, difteria, coqueluche, varicela e tuberculose. Elas são decorrentes de da permanência temporária em alojamentos e abrigos, com uma grande quantidade de pessoas convivendo em um mesmo espaço. Doenças de transmissão hídricas, causadas pela contaminação da água das redes públicas de abastecimento. 

MEDIDAS DE PREVENÇÃO

- Evite contato com água ou lama de enchentes e não deixe que crianças brinquem no local;

- Use botas e luvas quando trabalhar em áreas com água possivelmente contaminada, como é o caso de alagamentos. Se isso não for possível, use sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés;

- Quando as águas baixam é necessário retirar a lama e desinfetar as casas, sempre se protegendo com luvas e botas. O chão, paredes e objetos devem ser lavados e desinfetados com água sanitária, na proporção de dois copos (200 ml cada) do produto para um balde de 20 litros de água, deixando agir por 10 minutos;

- Jogue fora alimentos e medicamentos que tiveram contato com a água dos alagamentos;

- Lembre-se que serpentes, aranhas e escorpiões podem estar em qualquer lugar da casa, principalmente em locais escuros. Nunca coloque as mãos em buracos ou frestas. Use ferramentas como enxadas, cabos de vassoura e pedaços compridos de madeira para mexer nos móveis. Bata os colchões antes de usar e sacuda cuidadosamente roupas, sapatos, toalhas e lençóis;

- Em caso de encontrar animais peçonhentos dentro da residência, afaste-se lentamente, sem assustá-los. E nunca pegue com as mãos animais peçonhentos, mesmo que pareçam estar mortos.

COMO AGIR EM CASO DE MORDEDURA DE ANIMAIS PEÇONHENTOS

- O acidentado deve procurar imediatamente um serviço de saúde, para que seja devidamente atendido. O tratamento deve ser sempre administrado por profissional habilitado e, de preferência, em ambiente hospitalar;

- Nunca se deve chupar o local da picada. Não é possível retirar o veneno do corpo, pois ele é rapidamente absorvido pela corrente sanguínea;

- Não amarre o braço ou a perna picada porque isso dificulta a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena;

- Não corte o local da picada. Alguns venenos produzem hemorragia e o corte aumentará a perda de sangue.

NOTA TÉCNICA DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA

A nota técnica emitida pela Vigilância Sanitária alerta para as doenças que podem ser transmitidas pela água das enchentes, como leptospirose, hepatites A e E, gastroenterites agudas (por ingestão de água ou alimentos contaminados), tétano acidental e febre tifóide (causada por uma bactéria encontrada nas fezes de animais). Para a proteção contra essas enfermidades, a recomendação é evitar o contato com a água das enchentes. Quando necessário, os profissionais devem permanecer o menor tempo possível, utilizando equipamentos de proteção individual, como botas de borracha e luvas, ou sacos plásticos para manusear objetos que tenham sido atingidos pelas águas.

A Vigilância Sanitária disponibiliza hipoclorito de sódio e folder educativo com instruções quanto à desinfecção da água para consumo humano, limpeza, desinfecção de caixas de água e cuidados para evitar a contaminação decorrente das enchentes, assim como cuidados com alimentos, descarte de medicamentos, resíduos e acidentes com animais peçonhentos.

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