Uma paixão maior: o trabalho em madeira

Ervin Curt Teichmann tornou Pomerode conhecida por meio de suas obras

Um alemão naturalizado brasileiro transformou o cenário da arte pomerodense. Ervin Curt Teichmann nasceu em 1906 na cidade Kiel e veio para o Brasil em 1913. A família de Ervin então fixou residência em Blumenau. Depois, em 1918 foram para Rio do Sul. Lá a família desbravou um terreno de mata virgem e iniciou o trabalho com a agricultura. Quando Ervin casou, em 1933, com Hertha Weiss, sentiu necessidade de uma renda melhor, então preparou-se para dar aulas como professor primário.
Foi apenas em 1937 que Ervin retorna a Pomerode, para assumir a vaga de professor primário lecionando em português, aulas que até então eram dadas somente em alemão. A carreira como professor da Escola Olavo Bilac durou até 1939, quando um decreto do então presidente Getúlio Vargas exigia que os professores do primário fossem brasileiros natos. Ervin casado e com os filhos chegando teve a ideia de transformar um antigo passatempo em fonte de renda. 
A escultura em madeira sempre foi uma atividade paralela de Ervin e quando deixou de lecionar, começou a entalhar, fazendo pequenos gaúchos tomadores de chimarrão, de 10 a 15cm, e que eram vendidos com facilidade e em certa quantidade, garantindo o sustento da família. E o sucesso não tardou a chegar. A primeira exposição de Ervin Curt Teichmann aconteceu em Blumenau, no Teatro Carlos Gomes, do pintor tirolês e amigo Zangel.
De acordo com o filho de Teichamnn, Arno, Zangel foi o primeiro grande incentivador para a carreira de escultor do pai. “Zangel sempre dizia para o papai que ele precisava desenhar. Quanto mais desenvolvido o desenho, melhor seria o entalhe”, conta. Arno afirma ainda que o pai fazia pelo menos uma exposição anual e que sua obra completa deva ter mais de 2000 trabalhos, distribuídos entre acervos particulares, públicos, igrejas e no próprio museu em homenagem ao pai.
Mas Ervin não se preocupava apenas com a sua arte. Anseios da comunidade também moviam o coração do escultor. Foi ele um dos responsáveis por trazer o calçamento ao Centro de Pomerode, que na época ainda era distrito de Blumenau. Além da preocupação que tinha com o bem-estar e o aprendizado dos seus alunos. “Meu pai foi um professor nato e tinha uma facilidade muito grande de comunicação. Era rígido e exigente, mas um excelente professor. E não se preocupava apenas com suas aulas, mas com as atividades físicas e com os uniformes”, relembra Arno.
Ervin também lecionou para o Curso técnico do Colégio Dr. Blumenau e estava sempre envolvido com a vida cultural de Pomerode, além de trabalhar na Porcelana Schmidt como designer. “A família de papai era de artistas e ele sempre se envolveu com arte. Mas ele também gostava dos assuntos que envolviam Pomerode. Meu pai se tornou o primeiro presidente da Fundação Cultural de Pomerode  e na Porcelana Schmidt foi o responsável por criar uma série especial de animaizinhos que eram fabricados junto com a produção normal da empresa. Os animaizinhos fizeram muito sucesso como objeto de enfeite para presentear”, explica.
O escultor faleceu aos 86 anos, em 1992, deixando a esposa e os quatro filhos.  O museu foi aberto na casa construída por Ervin e onde ele morou com a esposa e filhos boa parte de sua vida. “Esse foi um pedido de meu pai e para mim  é um prazer manter a sua obra viva. “Sem dúvida nenhuma, o maior legado do meu pai são suas obras. Não são todos que têm um privilégio de ter tido um pai como o meu. Eu o considero um dos dez maiores escultores em madeira do Brasil”, finaliza Arno.
A Casa do Escultor – Museu Teichmann está localizada ao lado do Portal Sul e é mantida pela família do escultor e quem recebe os visitantes é filho Arno juntamente com a esposa. O museu fica aberto de terça-feira a domingo, das 15h às 17h, com valor de ingresso simbólico, usado para manutenção do espaço. 

 

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As informações são do Atlas da Mata Atlântica, iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)




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