Chuteiras penduradas

'O melhor momento durou 30 anos'

Professor Lula fala da trajetória de alegrias e aprendizados vivida ao lado de colegas e alunos

Foto: Matheus Kurth
Símbolo: professor Lula exibe com orgulho a camisa que faz parte do uniforme entregue pelo patrocinador das competições de Moleque/Moleca Bom de Bola.

Num piscar de olhos, lá se vão trinta anos. Esse parece ser o sentimento de Luiz Carlos Xavier, o professor Lula, ao relembrar das três décadas de dedicação à profissão de educador. Com uma intensa ligação com o esporte, Lula escolheu a Educação Física como missão de vida. "Quando os alunos me perguntam desde quando sou professor de Educação Física, brinco que oficialmente foi a partir do momento em que me formei na faculdade, mas que, na realidade, meu coração pertence a essa área desde que tinha cinco anos de idade", relembra.

Lula se aposentou oficialmente no início de julho, algo que ainda não lhe parece muito real. "Acho que o baque seria maior se os alunos estivessem em aula presencial. Como estávamos há meses nessa nova forma de ensinar, por conta da pandemia, ainda não me caiu a ficha. Vou sentir mesmo quando todos voltarem para a escola e eu perceber que não estarei mais com eles diariamente".

Muitos lembram dele da sala de aula e das quadras da escola, outros, dos campos de futebol e quadras de futsal. O fato é que Lula é um apaixonado pela arte de ensinar e pelo contato com os alunos. "Há tantas histórias nessas três décadas, poderia passar horas e horas falando. Posso dizer que é impossível escolher um momento marcante, na verdade, o momento marcante durou 30 anos", afirma emocionado.

Dos dois anos de trabalho na rede estadual e 28 na rede municipal, Lula criou um grande e vitorioso vínculo com a Escola Almirante Barroso. "Quando fiz o concurso para lecionar na rede municipal de Pomerode fui o terceiro colocado e acabei assumindo a vaga no Almirante, acredito que foi o destino. É uma escola que tem muito a ver com minha própria cultura, com uma comunidade participativa, um campo ao lado e profissionais comprometidos com buscar sempre o melhor para os alunos", revela.

Foi lá também que ele teve oportunidade de dar vida a um sonho que trazia consigo desde a decisão de atuar na área. "Sempre tive a vontade de criar um projeto com os alunos. Foi a partir daí que nasceu o Moleque/Moleca Bom de Bola, com o qual trabalhamos após o horário das aulas e aos sábados. Mas preciso destacar que esse projeto não se trata só dos alunos e alunas que jogam futebol e futsal, há muito mais envolvido, como as aulas de teatro, os alunos que partiram para outras modalidades de esporte e muitas outras atividades que tomaram forma a partir daí", enaltece.

Para a alegria de garotos e garotas, o projeto continuará existindo mesmo após a aposentadoria. "Como ele não interfere no horário letivo, continuaremos com o trabalho após as 18h e aos sábados de manhã. Inclusive, aos sábados à tarde temos uma turma de ex-alunos que treina", destaca.

O projeto rendeu ao Almirante Barroso 32 títulos municipais do Moleque/Moleca Bom de Bola (18 femininos e 14 masculinos). Para ele, algo que expressa bem o significado do trabalho e a conquista de vários jogos de uniforme entregues pelo patrocinador do torneio às escolas que chegam a disputar a fase regional da competição. "Quando vemos garotos e garotas utilizando esse uniforme, precisamos pensar que por trás dessa camisa estão cerca de três anos de muito trabalho e empenho, tanto por parte dos atletas quanto dos professores. Foram dias de chuva, frio, calor, derrotas, amistosos, aprendizados... Tudo isso para conquistar o direito a essas camisas. Tenho o orgulho em dizer que o Almirante possui alguns jogos de uniformes conquistados ao longo das últimas décadas", pontua.

Para encerrar, Lula faz questão de agradecer aos colegas de escola por toda a parceria nos últimos 30 anos, inclusive nessa reta final, quando a forma de ensinar sofreu alterações significativas. "Por gostar de teatro e toda a experiência de trabalhar com o público na Festa Pomerana, para mim não foi difícil gravar um vídeo passando as atividades aos alunos. Mas eu não sou tão ativo na parte digital, então se não fosse a ajuda dos colegas professores, teria muita dificuldade. Por isso não posso deixar de agradecer cada um deles de coração". As palavras finais pontuam bem o aprendizado nos 30 anos como educador. "Chamamos de comunidade escolar porque envolve muito mais do que o professor e diretor, depende de cada profissional que atua na escola, dos alunos, das famílias e de toda comunidade. Por esse motivo, não há conquistas individuais, é sempre o conjunto que possibilita as vitórias. Apesar das transformações nas últimas três décadas, o que não mudou é o fato de que os alunos ainda precisam e anseiam muito pela orientação dos profissionais da educação, esse é o nosso papel: buscar sempre o melhor para eles."


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