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Kaoane Loch fala sobre os desafios e superações da vida esportiva

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Foto: Arquivo pessoal
Alegria: Kaoane comemorando ponto.

Morar fora do país, aprender uma nova língua, jogar com atletas profissionais, representar a Seleção Brasileira. Esses são só alguns dos momentos que a atleta pomerodense de voleibol, Kaoane Loch, de 22 anos, já experimentou durante os seus 12 anos no esporte.

Ela começou a jogar por incentivo dos pais, Kaoane conta que a mãe já jogava voleibol e toda sua família já teve contato com o esporte. Depois de algumas tentativas em diferentes modalidades, a atleta encontrou sua paixão no vôlei, aos 10 anos de idade.

Um dos fatores que a influenciou foi a altura. Hoje, Kaoane tem 1,94m, mas conta que sempre foi a mais alta entre todos do seu círculo social. É por isso que, desde cedo, ela é central, posição que tem como principal critério a altura.

Mas a característica que a encaminhou para esse esporte também foi um ponto negativo em sua vida. Quando Kaoane era mais nova, ouvia piadas sobre ser muito alta, fazendo com que, mesmo sem querer, duvidasse de quem ela era como pessoa. No vôlei, aprendeu a enfrentar a questão. "Hoje em dia sei lidar com comentários, olhares, dedos apontando. Não que seja agradável, mas você acaba aprendendo a relevar", conta.

A atleta jogou por Pomerode durante seis anos, cidade que a ensinou muito profissionalmente, abriu portas para o mundo e fez surgir muitas oportunidades, como poder representar o país ao integrar a Seleção Brasileira. Com somente 14 anos, ela foi convocada pela primeira vez, fruto, claro, de muito trabalho duro. "Estava bem deslumbrada com tudo, confesso que não soube lidar muito bem com o que estava acontecendo. Mas ter a experiência tão nova de colocar a mão no peito, cantar o hino nacional vestindo o uniforme da seleção foi inexplicável", diz ela, orgulhosa.


Orlando Bento/Movimento: Kaoane atacando.

Outra experiência que a marcou aconteceu em 2015, quando tinha 17 anos, e foi chamada para compor a equipe de base do Minas Tênis Clube, em Minas Gerais. Dois anos depois, teve a oportunidade de jogar na categoria adulta do clube, estando ao lado de diversas atletas muito importantes para o cenário brasileiro e mundial. Para melhorar, conquistou ao lado delas o terceiro lugar na Superliga 17/18, principal competição da modalidade no Brasil.

Jogar com atletas desse nível, com certeza traz diversos aprendizados, dentro e fora de quadras. Para Kaoane, faltam palavras para descrever o sentimento proporcionado pela experiência de poder dividir as quadras com pessoas que assistia pela televisão. "Você sonha tanto tempo com algo e ver seu sonho ser realizado é incrível. Eu aprendi muito, cresci, e hoje vejo que muitas coisas que faço dentro e fora de quadra foram moldadas graças a esse tempo que passei com pessoas que me inspiraram desde o início", conta.

Mas, como nem só de vitórias e bons momentos se vive a vida, Kaoane revela ter passado por um tempo desanimador. Em 2018, quando saiu do Minas, teve dificuldades para encontrar um time. "Nada dava certo", diz ela. Ela conta que quem olhava de fora se perguntava porque ela não tinha desistido ainda. "Mas fui atrás de entender os planos de Deus 'pra' minha vida, e graças a Ele hoje estou vivendo um sonho aqui no Canadá".

Isso mesmo, Canadá. Ela se mudou graças à Xsport, de Minas Gerais. A diretora da empresa trabalhou com a atleta no Minas e a incentivou a ir para os Estados Unidos, país pelo qual muitas jogadoras de vôlei procuram para ter a oportunidade de estudar e jogar. Kaoane optou por não ir aos EUA, mas contou com o auxílio da empresária para conseguir uma bolsa de estudos na Universidade do Canadá.

Em 2019 ela já estava de casa e time novo: Brandon University Bobcats. Como o esperado, Kaoane encontrou alguns desafios nessa mudança, mas a língua não foi uma barreira muito grande porque estudou inglês desde nova. "Claro, nem tudo são flores. Mas caso houvesse dificuldade de me comunicar, todos aqui estavam prontos pra me ajudar e ensinar mais sobre a língua", explica. Para ela, o mais difícil mesmo foi se acostumar com o frio. Ela morava até ano passado em um local afastado da faculdade e, quando pegava o ônibus pela manhã, a temperatura batia -40ºC.

Nesses 12 anos de Voleibol, Kaoane passou por diversos altos e baixos, principalmente no primeiro ano fora de casa. Se acostumar a estar longe da família tão cedo e tão jovem foi uma tarefa complicada, mas seus pais fizeram de tudo para estarem presentes sempre que possível. "Como sou filha única, eles fizeram o possível pra acompanhar minha vida mesmo de longe", revela.

Hoje, mesmo que ainda sinta saudades, já se acostumou. "Sei que minha vida segue um rumo muito único, e que, mesmo de longe, se precisar sei que tenho para onde voltar". Além disso, Kaoane conta que o Voleibol é sua vida e o motivo de ter tido as melhores experiências. "Sou muito grata por Deus me possibilitar ter essa habilidade e poder desenvolver ela e, se Ele permitir, continuar seguindo carreira profissionalmente no esporte", finaliza. 

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