Douglas Würz
26 Junho 2020 16:30:00

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Vinhos

No dia 24 de maio de 1976, em Paris, ocorreu uma degustação, que por muitos, é a mais importante do século XX, que mudou o jeito que o mundo começou a ver os vinhos da Califórnia, nos EUA. 

Um jovem inglês, Steve Spurrier, era proprietário de uma das melhores lojas de vinhos em Paris, e organizou uma degustação às cegas. A degustação seria feita com vinhos Chardonnay e Cabernet Sauvignon da Califórnia, sendo confrontados com os melhores vinhos franceses. A ideia surgiu de uma norte-americana que trabalhava para ele na época e teve a ideia da degustação, com o objetivo de divulgar o seu negócio. Steven Spurrier era um homem respeitado no mundo do vinho e um frequente juiz em competições de vinhos. A sua ideia era mostrar aos franceses o que estava acontecendo com os vinhos californianos.

Em 1976, Spurrier foi ao Napa Valley selecionar alguns vinhos Chardonnay e Cabernet Sauvignon para confrontar aos franceses. De volta da França, ele escolheu alguns dos seus melhores vinhos franceses que tinha certeza que iriam ofuscar os vinhos californianos.

O júri foi formado por 9 especialistas em vinhos, que representavam a elite da cultura do vinho da França. Na primeira etapa da degustação, foram degustados ás cegas 6 vinhos Chardonnay da Califórnia e 4 vinhos da Borgonha. Na segunda etapa, foi a vez de 6 vinhos Cabernet Sauvignon da Califórnia, com 4 vinhos de Bourdeaux.

Os vinhos Brancos foram degustados primeiro. E o impensável aconteceu naquele dia. Na categoria vinho branco o vencedor foi o Chateau Montelena Chardonnay 1973 da Califórnia, superando os vinhos franceses.

O resultado gerou muitas surpresas aos jurados que não entendiam como um vinho norte americano poderia ser superior a um francês. Enquanto provavam os vinhos, os degustadores se mostraram confusos e acabaram, muitas vezes, por confundir um vinho francês com um americano.

Para os Vinhos Tintos os jurados estavam dando notas ou muito altas ou muito baixas, dependendo da certeza que tinham sobre a origem do vinho. Após avaliarem todos os tintos, Spurrier anunciou o vencedor, Stag's Leap Wine Cellars Cabernet Sauvignon 1973, da Califórnia a primeira safra produzida com uvas provenientes de vinhas com apenas três anos de idade - foi julgado o melhor.

No dia 24 de maio de 2006, jurados europeus e americanos, simultaneamente em Napa e em Londres, degustaram exatamente os mesmos vinhos de 30 anos antes. O resultado foi à vitória ainda maior da Califórnia: os cinco vinhos mais bem pontuados eram de Napa Valley. Os vinhos californianos conseguiram passar pelo teste do tempo. Mais uma vez, foi o Julgamento de Paris.


Douglas Wurz
27 Março 2020 10:23:00

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Altos Montes 
Com 173,84 quilômetros quadrados, a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes é a maior já certificada no Brasil. Abrange Flores da Cunha e Nova Pádua, municípios que estão entre os maiores produtores de vinhos por volume do Brasil (Ibravin, 2017). 

Altos Montes é a referência da vitivinicultura. A região, que abrange as cidades de Flores da Cunha e Nova Pádua, é constituída por uma área contínua, com altitudes entre 550 e 885 metros, na Serra Gaúcha, justifica o topônimo que dá nome a região. As condições topoclimáticas de Altos Montes são elementos de marcada influência na determinação das características e da tipicidade dos seus vinhos e espumantes (Sebrae, 2016). O cultivo da uva na região é marcado pela ocorrência em pequenas propriedades e por empregar basicamente mão-de-obra familiar. Isso não impediu que as vinícolas fizessem uso de alta tecnologia para elaborar vinhos cada vez melhores.

A criação da Associação de Produtores dos Vinhos dos Altos Montes (Apromontes), em 23 de janeiro de 2002, constitui o marco organizacional do setor produtivo para o desenvolvimento da indicação geográfica de vinhos finos na região dos Altos Montes, com base numa longa história de desenvolvimento da produção de uvas e vinhos da região (Tonietto et al., 2013b).

Monte Belo
Em 2003, um grupo de viticultores criou a Associação de Vitivinicultores de Monte Belo do Sul (Aprobelo), motivados a estimular e promover a produção de vinhos de qualidades de origem controlada na região, onde quase 40% da área é cultivada com vinhedos. A Indicação de Procedência (IP) Monte Belo tem como grande diferencial o fato de ser constituída exclusivamente por vinícolas familiares de pequeno porte. A área geográfica delimitada é de 56,09 km2, distribuídos pelos municípios de Monte Belo do Sul (com 80% da área), Bento Gonçalves e Santa Tereza. Monte Belo do Sul é o município com a maior produção per capita de uvas para a elaboração de vinhos finos (Vitis vinifera) da América Latina, com 16 toneladas per capita/ano, sendo a grande região produtora de uvas de qualidade utilizadas na elaboração de vinhos finos em vinícolas da Serra Gaúcha. Agora, com a produção de vinhos de origem controlada no local, os pequenos produtores poderão agregar mais valor à sua produção e a região ter a visibilidade merecida (Ibravin, 2017).


Douglas Würz
27 Fevereiro 2020 15:08:00

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As indicações geográfica do vinho brasileiro - Parte 2  
Atualmente no Brasil estão registradas 43 indicações geográficas, sendo 35 indicações geográficas nacionais e 8 internacionais. Das IG's nacionais são sete destinadas a vitivinicultura, sendo seis indicações de procedência e uma denominação de origem (MAPA, 2017). A indicação de procedência refere-se ao nome do local que se tornou conhecido por produzir, extrair ou fabricar determinado produto ou prestar determinado serviço. A denominação de origem refere-se ao nome do local, que passou a designar produtos ou serviços, cujas qualidades ou características podem ser atribuídas a sua origem geográfica. Para evitar a utilização indevida de uma indicação geográfica para determinado produto ou serviço, o registro no INPI surge como fator decisivo para garantir a proteção do nome geográfico e desta forma obter uma diferenciação do produto ou serviço no mercado (INPI, 2017). 

As indicações de procedência nacionais para o vinho são: IP Vale dos vinhedos, IP Altos Montes, IP Monte Belo, IP Pinto Bandeira, IP Farroupilha, IP Vale da Uva Goethe e a denominação de origem é: DO Vale dos Vinhedos. E estão em desenvolvimento as IP Campanha Gaúcha, Vale do Submédio São Francisco e Vinhos de Altitude de Santa Catarina.

Vale dos Vinhedos 
O Vale dos Vinhedos obteve em 2002 o reconhecimento como Indicação Geográfica, podendo conceder aos vinhos que estivessem dentro dos padrões estabelecidos pela Aprovale com o selo de Indicação de Procedência (IP). A partir de 2012, com o reconhecimento do Vale como Denominação de Origem (DO), para ostentarem esta classificação, os produtos deverão obedecer a regras mais específicas em relação à produção da uva e à elaboração do vinho (Aprovale, 2017). A D.O. Vale dos Vinhedos tem Registro de Indicação Geográfica número IG 201008, de 25 de outubro de 2012, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).  

A Denominação de Origem Vale dos Vinhedos tem como titular a APROVALE. A D.O. designa os vinhos finos secos brancos e tintos e os vinhos espumantes finos brancos e rosados, cujas qualidades e características se devem ao meio geográfico, incluídos os fatores naturais e os fatores humanos. A área geográfica delimitada da D.O. (Falcade; Tonietto, 2010) localiza-se na região vitivinícola da Serra Gaúcha do Estado do Rio Grande do Sul, nos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul (Tonietto et al., 2013).


Douglas Würz
06 Dezembro 2019 14:01:00

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A ordem de serviço de vinhos e espumantes

Pode parecer frescura, mas diferentemente do dito popular, a ordem dos vinhos altera, sim, a percepção final deles. Não vale começar com vinhos doces que irão ocupar seu paladar e depois passar para os mais secos. A ordem que facilitará sua prova é a seguinte:

1 - Os vinhos mais jovens primeiro e os mais velhos depois (a exceção fica no caso de ser o mesmo vinho em safras diferentes, daí a ordem se inverte).

2 - Os espumantes mais secos chegam primeiro, depois os meio-secos e, por fim, os moscatéis. Entre um espumante Charmat e um Champenoise, deve-se degustar primeiramente o elaborado pelo método Charmat, pois apresenta uma característica de maior leveza em comparação ao espumante champenoise.

3 - A degustação de vários estilos deve começar com os espumantes secos, depois os brancos sem madeira, brancos com madeira, rosés mais claros para rosés mais escuros, tintos leves, tintos jovens, tintos sem madeira, tintos com madeira, tintos de guarda, espumantes doces, vinhos doces e, por fim, os vinhos fortificados.

Portanto, em uma degustação com mais de um rótulo vale a pena separá-los, conforme descrevemos acima para assim aprecia-los da melhor maneira possível.

Taças para ter em casa!

Nas degustações formais, quando especialistas e enófilos olham, cheiram e provam os vinhos seguindo uma série de regras, as taças utilizadas são de dois padrões, a mais comum é uma taça baixa, que se presta a todos os tipos de vinho (e também para alguns destilados) chamada ISO, por seguir os parâmetros da Internacional Standards Organization.

A outra taça, que vem sendo bastante utilizada em degustações formais, é uma mais alta e bojuda, conhecida por muitos como taça Bordeaux ou taça Rioja. O que elas têm em comum é o fato de apresentarem um bojo bem mais largo que a boca.

O bojo mais largo das taças permite ainda que o líquido entre em contato com o ar, fazendo com que os aromas apareçam com maior potência. Nas taças de cristal, onde a concentração de chumbo é maior, as paredes mais porosas e finas permitem que as moléculas do vinho se quebrem com maior facilidade, intensificando os aromas. Isso funciona para brancos, rosés e tintos.

E para espumantes? A mais indicada é a taça flute. Uma das almas de um espumante é o seu borbulhar constante, que se intensifica em uma taça mais estreita e, preferencialmente, de cristal e se perde mais rapidamente quando a boca é muito larga. Para evitar o contato da mão com o bojo e assim a perda rápida de temperatura (outro fator muito importante na degustação de um espumante), as taças de pés mais altos foram ficando mais importantes conforme os espumantes foram ficando mais refinados.


Douglas Wurz
30 Maio 2019 10:48:00

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As características gustativas de um vinho

Na degustação de um vinho, o exame gustativo é certamente uma das partes mais importantes, tanto que, nas fichas técnicas de prova de vinhos, este apresenta maior peso na pontuação.

As sensações gustativas propriamente ditas são aquelas sentidas com as papilas gustativas que estão situadas na superfície da nossa língua. Para analisar as características gustativas, toma-se um gole de vinho, deixando que ele passe por toda nossa boca, e assim possamos sentir todas as sensações causadas por ele.

Avalia-se a doçura, a acidez, alcoolicidade, adstringência, maciez, corpo e amargor. Sensações gustativas propriamente ditas são aquelas sentidas com os diferentes tipos de papilas gustativas que estão distribuídas em toda a superfície da língua. No entanto, em certas partes dela há uma concentração maior dos tipos de papilas e, por assim dizer, existe uma especialização. Estão localizadas em diferentes pontos da língua, sensíveis às qualidades primárias do gosto: doce (ponta da língua), salgado (ponta e lateral da ponta), ácido (parte lateral língua) e amargo (final da língua).

O doce, sentido pelo açúcar residual é sentido principalmente na ponta língua, dando uma sensação de pungência. É ocasionada por açúcares residuais nos vinhos.

O sabor ácido é estrutural nos vinhos. Parte considerável da agradabilidade dos vinhos advém de uma acidez adequada, sendo que ela deve ser maior nos vinhos brancos e espumantes, e menores nos vinhos tintos. São responsáveis pela sensação de refrêscancia e frescor. É importante observar a salivação produzida, pois ela é indicador, ou seja, quanto mais ácido o vinho mais intensa é a salivação, portanto também um meio de avaliação da acidez.

O sabor salgado é mais difícil de ser percebido, representa a mineralidade de um vinho. Normalmente é mascarado pelo álcool e pela acidez dos vinhos.

O sabor amargo é sentido pelas papilas que se situam ao fundo da boca. Aparecem no vinho tinto pela presença dos taninos e de substâncias de origem na oxidação de alguns polifenóis. É um defeito no vinho, não se espera que um vinho apresente amargor.


Douglas Würz
25 Abril 2019 11:29:00

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Grapa: o destilado de luxo

Sabe-se logo quando os italianos não querem que a noite acabe: surge a grapa. Embora hoje a grapa seja produzida em toda a Itália, historicamente era uma especialidade do norte do país, onde uma pequena dose junto com o café da manhã ajudava as pessoas a saírem num dia gelado.

A origem da Grappa vem da Idade Média e reza a lenda que um legionário romano desconhecido teria aprendido as técnicas de destilação no Egito durante o domínio romano. Ele levou esse conhecimento e uma amostra da bebida chamada como "Crisiopea di Cleopatra" de volta à Itália, mais especificamente para a região do Friuli, que fica na parte superior da Bota e faz fronteira com Áustria e Eslovênia.

A Grappa pode ter de 37% a 60% de álcool e segue o mesmo processo de produção na Espanha, onde recebe o nome de Orujo, e em Portugal, onde é conhecida como Bagaceira ou Aguardente Portuguesa. A grapa é uma aguardente clara resultante da segunda fermentação do bagaço das uvas (polpa, engaços, sementes e cascas que restaram do vinho elaborado). Dependendo da qualidade da matéria-prima e do método de destilação, o produto final pode ser áspero como uma granada que incendeia a garganta ou ter um paladar macio, vinoso e forte.

Podemos classificar a Grappa em três grupos: blend, quando for feita com diversos tipos de uvas; varietal, quando provém de uma variedade única; e Invecchiata, quando passa por um processo de envelhecimento em barris de carvalho.

As garrafas fazem parte da atração. Desde o final da década de 1980, as garrafas de grapa, com desenhos atraentes e de vanguarda, não deixam de ser extraordinárias.

As grapas foram muito utilizadas pelos soldados para se aquecerem no inverno e não tinham a mínima pretensão de ser uma bebida de qualidade. Nos dias de hoje, devido à dispensada à fruta e não mais ao álcool, a bebida se tornou mais suave e de sabor balanceado. A partir do século XX, a Grappa ficou conhecida não somente na Itália, mas no resto do mundo, revelando-se um produto de luxo, sendo encontrada nos mais sofisticados bares e restaurantes.

Embora tenham a aparência inócua de água, as grappe atuais têm qualidade excepcional, natureza sedutora, perfumada intensidade aromática e grande persistência. São menos agressivas que as antigas, com mais atenção dispensada à fruta que ao álcool, o que as torna mais suaves. Com isso, muitas pessoas que rejeitavam o produto por ser muito rústico e forte agora estão se tornando fãs da bebida.

No Brasil, temos bons produtores de Grappa e certamente a Casa Valduga, que faz vinhos desde 1875, é a principal referência nacional no quesito. Atualmente, ela faz três variedades: Cabernet Sauvignon, Prosecco e Chardonnay.


Douglas Würz
29 Março 2019 10:46:00

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Vinhos e Aromas!

Um dos grandes atrativos de beber um vinho é que ele é capaz de apresentar uma surpreendente gama de aromas, em particular, se considerarmos que a matéria-prima é uma só. Levar o vinho ao nariz pode ser considerado uma das etapas mais instigantes de uma degustação. Quando falamos da analise olfativa, é necessário utilizar a memória e a imaginação. É ideal fechar os olhos, inspirar o vinho e procurar os aromas que estamos sentindo. Claro que não devemos nos preocupar se não descobrirmos os aromas dos vinhos, pois o tempo e a prática ampliarão nosso banco de dados. 

Outro aspecto impressionante e misterioso dos aromas do vinho é que, graças a ele, podemos obter informações sobre a variedade da uva com que foi feito o vinho, o modo como foi elaborado, sua forma de maturação, entre outros tantos detalhes que podem ser sentidos simplesmente pelo olfato treinado.

Sanidade: se o vinho não cheira a nada desagradável ou estragado. 

Intensidade ou ataque aromático: é a quantidade de aroma, o impacto do líquido em nossas narinas.

Complexidade: a variedade de aromas, ou quantidade de diferentes essências que podem ser reconhecidas.

Reconhecimento: identificar e nomear as fragrâncias que compõe o aroma final.

Qualidade: item subjetivo, ligado ao gosto pessoal do degustador.

Originalidade: considerando alguns odores como banais e outros como raros e intrigantes.

Persistência: quanto tempo a sensação permanece em nosso olfato.

Evolução: aromas evoluem à medida que o vinho é aerado. Com alguns minutos ou até algumas horas na taça, aromas novos podem surgir.

Os aromas do vinho também podem ser agrupados em inúmeros grupos, como por exemplo:  

Florais: acácia, rosa, violeta, flor de laranjeira, tília, narciso, jasmim.

Frutas cítricas: limão, laranja, maçã verde, tangerina, abacaxi.

Frutas vermelhas: amora, cassis, morango, framboesa, groselha, cereja, ameixa.

Frutas amarelas: pêssego, damasco, manga, pêra, melão.

Frutas naturalmente secas: amêndoa, avelã, noz.

Frutas secas, cristalizadas, em calda e geléias: ameixa seca, figo seco, uva passa, geléia de amora.

Especiarias: pimenta do reino, noz moscada, anis, cravo, canela.

Vegetais: feno, musgo, capim, grama cortada, pimentão verde, azeitona, tabaco.

Animais: couro, pelica, urina de gato, âmbar.

Herbáceos: hortelã, sálvia, aneto, orégano, manjericão, alecrim, pinho, manjerona.

Minerais: pedra de isqueiro, petróleo, terra.

Tostados: café, chocolate, caramelo, pão torrado, amêndoa torrada.

Químicos: asfalto, vinagre, gás de cozinha.

Outros: defumado, mel, manteiga, baunilha, cedro, carvalho, cogumelo, mofo, álcool, levedura, leite, tartufo, cascas de pão, enxofre.

Para apreciar da melhor maneira os aromas do vinho, é necessário aspirar o vinho com delicadeza. Aspirar com muita intensidade os aromas na boca da taça só vai trazer para sua narina o cheiro do álcool, pois ele é mais forte e o mais volátil. Uma dica muito importante é apreciar o vinho na temperatura adequada, se o vinho ou espumante for servido muito gelado os aromas ficarão fechados. 

Antes de degustar, leve em consideração alguns detalhes: o local deve estar livre de outros cheiros. Para fumantes, são necessárias algumas horas sem o cigarro para que as narinas voltem a sentir os aromas, e antes da degustação não usar perfume nem creme para as mãos.


Douglas Würz
28 Fevereiro 2019 10:39:00

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Como alcançar a temperatura de serviço dos vinhos?

Depois de descobrir em qual temperatura seu vinho se comporta melhor, a primeira questão é como chegar aos famosos 18ºC? A resposta seria fazer medições com um termômetro. Hoje há aparelhos que se moldam à garrafa e medem a temperatura instantaneamente. Fora isso, há máquinas em que se insere a garrafa, digita-se a temperatura desejada e, em minutos, o líquido está no ponto. Mas, se quiser ser analógico, abra a garrafa, insira um termômetro e verifique. 

No entanto, convenhamos, não é sempre que você tem um termômetro por perto ou ainda qualquer aparato tecnológico de resfriamento automático. Então, como fazer? Pense que, em cerca de 10 minutos imerso em um balde de água com gelo, um vinho branco vai de 18 ºC a 13 ºC. Para baixar esses mesmos 5 graus na geladeira, você terá de esperar uma hora. Essa diferença se dá porque, na geladeira, o meio de resfriamento é o ar, bem menos denso do que a água. É por isso também que usar apenas gelo sem água também demora mais para resfriar a bebida, pois há menos contato com a garrafa. Portanto, use gelo e água para ganhar eficiência.

Em cerca de 10 minutos imerso em um balde de água com gelo, um vinho branco vai de 18ºC a 13ºC

Dessa maneira, para levar um tinto que está em temperatura ambiente à graduação mais adequada, você pode, sim, usar um balde de gelo. Alguns sommeliers têm calafrios quando alguém pede um balde de gelo para os tintos, pois imaginam que o cliente vai deixar o vinho extremamente gelado e consequentemente sem aromas e tânico. No entanto, se a garrafa não estiver na temperatura correta, é necessário resfriá-la. Mas geralmente bastam menos de 5 minutos imerso no gelo para que ela esteja pronta. Na geladeira, cerca de 40 minutos. No freezer, menos de 10 minutos. Evite deixar muito mais tempo do que isso.

Para brancos, rosés e espumantes, de 10 a 15 minutos dentro do balde de gelo serão suficientes. Na geladeira, entre 2 e 3 horas. No freezer, entre 20 e 30 minutos bastam. Já os doces variam conforme o tipo. Os fortificados, como Vinho do Porto, por exemplo, podem ser servidos próximos da temperatura dos tintos, ou seja, 18oC, ou um pouco mais frios. Assim, para eles, vale usar mesmos os tempos dos tintos na hora de resfriar. Já os doces brancos, como Sauternes, por exemplo, tendem a ser servidos na temperatura dos espumantes ou até mais gelados, pois assim eles são capazes de mostrar sua acidez sem se tornarem melados. Como regra para resfriar, portanto, deve-se seguir o mote dos espumantes.


Douglas Würz
24 Janeiro 2019 11:06:00

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Os defeitos em vinhos

Os defeitos dos vinhos são alterações ocorridas no produto, por diversos motivos: falta de higiene, matéria-prima de baixa qualidade ou até mesmo produzidos por microrganismos responsáveis pelo metabolismo dos açucares, devido a falhas ocorridas durante o período de fermentação.

O grau com que se manifestam os diferentes defeitos é determinante para a viabilização do produto. Os vinhos podem apresentar defeitos leves ou defeitos graves que podem torna-los intragáveis. Porém, pela cultura própria de cada sociedade ou de cada indivíduo pode não haver consenso, pois o que para uns é um vinho perfeito para outros pode ser o contrário. Uma das formas de se detectar os defeitos dos vinhos é a analise sensorial. Esta possui um caráter científico evidenciado por um conjunto de técnicas, pelas quais grupos de pessoas avaliam certo produto, sob diferentes aspectos: visual, olfativo e gustativo.

Para a percepção dos defeitos e ou qualidades nos vinhos, a prática da degustação é o que permite a pessoa a aperfeiçoar suas sensibilidades para a percepção de cada componente existente no produto.

Defeitos Graves 

Brettanomyces

Descrição - Aroma a couro, cabedal, marroquinaria, animal, suor, cavalo, estrebaria, pocilga.

Causa - Contaminação das uvas, vinho, equipamento ou barricas de estágio com leveduras Brettanomyces que produzem tetrahidropiridinas (4-etil fenol, 4-vinil fenol). Baixos teores de SO2 e armazenagem a altas temperaturas facilitam a ocorrência.

Oxidação

Descrição - Um defeito comum em particular nos brancos correntes. À ligeira alteração de cor junta-se um aroma com perda evidente de fruto, uma certa madeirização e uma prova plana com final seco, curto e inexpressivo.

Causa - Excessivo contato do vinho com o oxigênio, rolha defeituosa com pouca estanquicidade, vinho frágil com fraco potencial redox, idade avançada do vinho.

Acetaldeído

Descrição - aromas de frutos vermelhos esmagados e expostos ao ar, a palha e vegetal seco.

Causa - Oxidação do álcool do vinho devido a trasfegas ou engarrafamentos violentos, ou armazenagem em cubas não completamente cheias. Problema comum em vinhos de regiões quentes.

Acidez Volátil/Acetato de Etilo

Descrição - Aroma de vinagre no caso de formação de ácido acético. Aroma de cola, acetona, solvente do verniz para unhas, no caso da formação de acetato de etilo, que se forma da reação do álcool com o ácido acético.

Causa - Ambos surgem pela contaminação do vinho com bactérias acéticas que degradam o álcool produzindo ácido acético e gás carbônico. A formação de um elemento não é proporcional a do outro. O segundo deprecia mais o vinho que o primeiro.

TCA / TBA

Descrição - Os Tri e os Tetracloroanisois (TCA) e o Tribromoanisol (TBA) têm um aroma bem conhecido: "a rolha", bolor, mofo, umidade, bafio.

Causa - Tem origem no ataque de fungos existentes na rolha de cortiça natural aos derivados do cloro (cloroanisóis) usado na lavagem e branqueamento de rolhas. O TBA tem origem no ataque de fungos aos derivados de bromo usado na desinfecção de madeiras por vezes utilizadas na fabricação de adegas e caves.

Sulfídrico / Mercaptana / Disulfitos

Descrição - Aroma de ovos e couve podres, alho, cebola, borracha queimada.

Causa - Além da já referida causa para o H2S, a mercaptana forma-se pela ação de leveduras sobre o sulfuroso nas borras.


DOUGLAS WÜRZ
21 Dezembro 2018 16:48:33

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Vinhos do Brasil: Medalhas no exterior crescem 80%

2018 começou bem e termina melhor ainda para o setor vitivinícola brasileiro. Depois de registrar uma excelente safra, com projeção de vinhos e espumantes diferenciados e desempenho já confirmado na 26ª Avaliação Nacional de Vinhos - Safra 2018, a Associação Brasileira de Enologia (ABE) comemora o avanço dos vinhos e espumantes nacionais no ranking de premiações internacionais com a conquista de 302 medalhas somente neste ano, um salto de 80% em relação ao ano passado que registrou 168 distinções. 

O reconhecimento é internacional e veio de 26 concursos realizados em 13 países (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, China, Espanha, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Itália, México e Suíça). Esta é a terceira melhor performance já registrada, ficando atrás apenas de 2014 com 388 e 2016 com 338 distinções. "Este reconhecimento é resultado de muito desenvolvimento e pesquisa. Nós, enólogos, estamos em constante aperfeiçoamento. Este trabalho começa no vinhedo e acompanha todos os processos na vinícola. Estamos fazendo a nossa parte e o resultado está aí para o mundo ver", destaca o presidente da ABE, enólogo Edegar Scortegagna. A ABE esteve representada com 21 enólogos.

Para 2019, 20 concursos estão no calendário oficial da entidade, para onde deverão ser enviadas amostras. Este trabalho vem sendo realizado sob coordenação da ABE desde 1995. De lá para cá, já foram conquistados 3.943 prêmios.

Maior crescimento foi entre os vinhos tranquilos 

Apesar de quase 70% das premiações conquistadas este ano serem para espumantes, o maior crescimento percentual é registrado entre os vinhos tranquilos, que passaram de 45 para 92 medalhas na comparação com o ano passado (105%). Do total, 55 são tintos e 37 brancos. "Isso demonstra que o Brasil vem sendo reconhecido não apenas pela excelência de seus espumantes, mas também pelos seus vinhos", comemora Scortegagna.

Daniel Salvador é o novo presidente da ABE 

O enólogo Daniel Salvador assume a presidência da Associação Brasileira de Enologia no exercício 2019-2020. Eleito por unanimidade em Assembleia Geral realizada na noite desta quarta-feira, 5 de dezembro, Salvador substituirá Edegar Scortegagna a partir de 1º de janeiro. Cerca de 40 associados participaram da votação que aconteceu no Centro de Eventos Pinot Noir, no Dall'Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves. 

 Enólogo proprietário da Vinícola Salvatore, de Flores da Cunha, o jovem presidente pretende dar continuidade às ações da ABE, reforçando o papel da entidade de seguir oportunizando a qualificação dos associados. Para alcançar os objetivos propostos, Salvador contará com o apoio de outros 15 enólogos que, junto com ele, formam a nova diretoria da entidade. "Temos um plano focado no desenvolvimento de ações dirigidas aos associados e setor vitivinícola, mas estamos abertos a seguir inovando", destaca o presidente eleito.


DOUGLAS WÜRZ
26 Outubro 2018 14:32:27

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Uma das sensações mais prazerosas para um apreciador de vinhos é poder degustar um bom vinho, se encantar pelos seus aromas, gostos e sabores. 

Antes de comentar sobre a degustação de vinhos, devemos ter uma boa definição de dois termos: Beber o Vinho e Degustar o Vinho. Quando bebemos um vinho, normalmente o relacionamos a uma gostosa situação, pensamos nos bons momentos que esta bebida pode nos proporcionar e não nos detalhes técnicos. Já a degustação se dá de maneira mais técnica, onde analisamos todos os aspectos que o vinho pode ter. A degustação, quando analisamos o vinho, é feita avaliando três aspectos do vinho: exame visual, exame olfativo e o exame gustativo.

Deve-se degustar um vinho em local adequado, com boa iluminação e livre de odores, tomando-se o cuidado de servir o vinho em taças adequadas e na sua correta temperatura de serviço.

A primeira etapa de uma degustação é a avaliação visual. Poucas pessoas param para apreciar a cor do vinho e para descobrir as pistas que o visual nos dá sobre a sua evolução, sua maturidade ou mesmo o seu teor de álcool. Para bem analisar um vinho devemos estar atentos para a intensidade de cor, a tonalidade e a limpidez. Quando estamos avaliando um vinho espumante, na análise visual é fundamental analisarmos sua perlage, verificando a intensidade, fineza e duração das borbulhas, que é um indicativo da qualidade desse espumante.

Depois de feita a avaliação visual de um vinho, a próxima etapa consiste na avaliação olfativa do vinho. Quando falamos da analise olfativa, é necessário utilizar a memória e a imaginação. É ideal fechar os olhos, inspirar o vinho e procurar os aromas que estamos sentindo. Os aromas do vinho podem ser agrupados em inúmeros grupos, como por exemplo: florais, frutas vermelhas, frutas cítricas, especiarias, animais, vegetais, herbáceos, tostados, minerais, entre outros. Essa avaliação requer prática, e é fundamental o treino e memorização de diferentes aromas, para então senti-los nos diferentes estilos de vinhos.

A última parte da avaliação sensorial do vinho diz respeito aos aspectos gustativos. É importante ressaltar que a expressão gosto abrange na verdade um conjunto de sensações: as gustativas, cutâneas e as olfativas retronasais.

As sensações gustativas revelam quatro sabores: doce, salgado, ácido e amargo; a sensibilidade cutânea nos dá sensações táteis (adstringência, aspereza e maciez ou untuosidade), térmicas, que poderíamos definir como complementares; o olfato por sua vez fornece o aroma (sensações odoríficas retronasais), que é o componente mais importante do gosto, pois é o que mais influencia o caráter e determina a qualidade.

Todas estas sensações são percebidas quase ao mesmo tempo, e por isso muitas vezes é difícil analisá-las, separá-las e atribuí-las com certeza a uma determinada modalidade sensorial.

Degustar vinho é uma sensação única e muito prazerosa, sendo necessária a prática para então dominar todos os sentidos que o vinho nos proporciona.


DOUGLAS WÜRZ
03 Outubro 2018 08:00:00

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As exportações de vinhos tranquilos e espumantes brasileiros tiveram alta de 39,3% em volume e 32,8% em valor no primeiro semestre de 2018, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os produtos vinícolas foram comercializados para 29 países, somando 1.593.137 litros e negócios de US$ 3,6 milhões. 

No ranking dos cinco principais destinos estão Paraguai, Estados Unidos, Cingapura, Colômbia e Reino Unido. As 42 empresas participantes do projeto setorial Wines of Brasil, realizado em parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), responderam por 85% do resultado obtido.

De acordo com o gerente de Promoção do Ibravin, Diego Bertolini, a expectativa é que no segundo semestre as comercializações para o exterior sigam crescendo, especialmente devido às estratégias em mercados da América Latina, que incluem também o projeto setorial 100% Grape Juice of Brazil. Em 2017, os países do continente absorveram 41,3% do total global negociados.

"Além dos mercados-alvos China, Estados Unidos e Reino Unido, pretendemos aumentar as iniciativas de promoção e aprimorar a distribuição em países próximos ao Brasil, como Paraguai, Colômbia, Chile e Peru, em função de vantagens competitivas, como logística e perfil de produto. Os latino-americanos possuem paladar similar aos brasileiros, o que favorece nossa penetração", explica o executivo.

Entre janeiro e junho de 2018, o melhor desempenho ficou com os espumantes, que obtiveram expressivo crescimento de 61,2% em litros e 29,2% em valor, comparados ao primeiro semestre do ano anterior. Os vinhos tranquilos, que representam a maior fatia das comercializações, tiveram um incremento de 37,4% no volume e 33,6% nas vendas.

Sobre o Wines of Brasil e o 100% Grape Juice of Brazil           

O Wines of Brasil e o 100% Grape Juice of Brazil são iniciativas de promoção comercial dos vinhos, espumantes e sucos de uva brasileiros no mercado externo, desenvolvidas desde 2002 entre o Ibravin e a Apex-Brasil. Os projetos setoriais contam, atualmente, com a participação de 42 vinícolas e têm como mercados-alvo os Estados Unidos, Reino Unido, China e Paraguai. Nos últimos anos, cerca de 95% das empresas que aderiram às ações conseguiram dar continuidade em suas exportações, devido ao suporte, aos programas de capacitação oferecidos e ao trabalho setorial de consolidação da imagem dos rótulos nacionais no Exterior. Mais informações podem ser obtidas nos sites www.winesofbrasil.com, www.grapejuiceofbrazil.com e www.ibravin.org.br.

  Assessoria de Imprensa Ibravin: www.ibravin.org.br


DOUGLAS WÜRZ
31 Agosto 2018 16:31:14

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Vendas de vinhos brasileiros ficam estáveis no primeiro semestre de 2018

A venda de vinhos e espumantes brasileiros no mercado interno apresentou um leve recuo de 0,79% nos primeiros seis meses do ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Para o setor produtivo, apesar de os espumantes terem apresentado resultado positivo de 9,75%, com a comercialização de 4,3 milhões de litros, a venda de vinhos tranquilos, que representa o maior volume comercializado, e que totalizou 88,4 milhões de litros, teve uma pequena retração de 0,93%.

Por sua vez, os sucos de uva 100% prontos para consumo recuperaram o ritmo de crescimento, ampliando a venda em 32,7% e somando 60,1 milhões de litros. Contabilizando os resultados dos demais produtos processados a partir da uva, de janeiro a junho desse ano, o setor atingiu 173,3 milhões de litros, com resultado positivo global de 9,27%.

"Tivemos dois anos com as vendas estabilizadas, devido a uma série de fatores, como a quebra histórica da safra 2016 e a crise econômica brasileira. Tínhamos uma expectativa de melhoria das comercializações, mas isso está ocorrendo de forma bastante gradual. Há alguns nichos com bom desempenho, como os espumantes, em especial os moscatéis, mas estamos cautelosos devido à estagnação da venda de vinhos tranquilos", explica Oscar Ló, presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). O dirigente ressalta o excelente desempenho obtido pelo suco de uva, carro-chefe do setor, que retomou aos patamares de comercialização dos anos anteriores. Atualmente, o produto absorve 50% das uvas processadas no Rio Grande do Sul.

O vice-presidente da entidade, o viticultor Marcio Ferrari, acredita que a repercussão da alta qualidade da safra de uva possa auxiliar no incremento das vendas no segundo semestre, já que parte dos rótulos elaborados com a matéria-prima deste ano, como os vinhos tintos jovens e brancos, estão chegando agora aos consumidores.

"As condições climáticas colaboraram para que a safra 2018 tivesse uma qualidade excepcional, sendo considerada uma das melhores da história, e as pessoas estão esperando por esses vinhos e espumantes", assinala.

FONTE: IBRAVIN


Douglas Würz
27 Julho 2018 11:51:06

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Candidata brasileira à presidência da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), Regina Vanderlinde, foi eleita em Paris (França), com 36 votos favoráveis, de um total de 45. Ela sucede a alemã Monika Christmann. A candidatura foi coordenada pela Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em conjunto com Ministério das Relações Exteriores, e teve o apoio do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), tendo em vista a importância do setor vitivinícola para o país.  

O ministro Blairo Maggi nos últimos meses defendeu a candidatura em encontros com ministros da Agricultura dos demais países-membros da organização. Regina Vanderlinde foi eleita com mandato de três anos, passando a ocupar, subsequentemente, a vice-presidência do organismo durante três anos. A nova presidente da OIV é enóloga, professora na Universidade de Caxias do Sul, formada em Farmácia Bioquímica, Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Enologia pela Universidade de Bordeaux.

Vanderlinde atua como delegada do Brasil na OIV desde 2001, tendo participado de comissões e de grupos de trabalho, no Comitê Executivo e na Assembleia Geral da entidade. Em 2012, assumiu o posto de secretária científica da Subcomissão de Métodos de Análises da organização, sendo a primeira representante do Brasil a ocupar cargo na organização. Também foi gerente geral do Laboratório de Referência Enológica (Laren).

Entre as suas propostas para a OIV está a construção de um modelo de comércio internacional baseado na legalidade e na transparência. Segundo a especialista, o objetivo é obter a adesão de novos membros para a entidade para que cresça mais. "Vou trabalhar para inspirar a confiança do consumidor, valorizar o vinho e aumentar o retorno econômico de quem vive da atividade".

Entre seus objetivos está, ainda, aumentar a participação e o trabalho junto ao Codex Alimentarius, com vistas ao desenvolvimento de novos padrões internacionais, a fim de melhorar as condições de desenvolvimento e comercialização de produtos vitivinícolas.

ções para os apreciadores abrem somente no início de setembro.

A entidade 

A OIV, organização científica e técnica intergovernamental, fundada em 1924, atua em todos os domínios referentes à uva e ao vinho no mundo, tendo 46 países membros (entre os quais o Brasil, desde 1996) e 12 organismos internacionais como observadores. 

De acordo com estatística da OIV, de outubro do ano passado, a Itália é a maior produtora de vinho do mundo com 39,3 milhões de hl (hectolitros), seguida da França (36,7 milhões de hl) e da Espanha (33,5 milhões hl). O Brasil ocupa a 14ª posição no ranking, com produção de 3,4 milhões hl.


Douglas Würz
29 Junho 2018 11:43:00

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A maior avaliação de vinhos de uma mesma safra do mundo já está em processo de elaboração. Vinícolas de todo o Brasil têm até o dia 06 de julho para inscrever suas preciosidades da Safra 2018 na 26ª Avaliação Nacional de Vinhos, o mais importante evento do setor vitivinícola brasileiro, reconhecido por enólogos e formadores de opinião do mundo inteiro. 

Espelho da qualidade e diversidade da produção nacional, a Avaliação vem guiando a vitivinicultura brasileira servindo de termômetro para novos investimentos, seja no vinhedo, seja na vinícola. Este ano, com uma safra de grande desempenho, entre as melhores de todos os tempos, a expectativa é grande.

As vinícolas podem inscrever vinhos de variedades vitis vinífera, secos, 100% varietais, da safra 2018, pertencentes a um lote representativo de pelo menos quatro mil litros. Esta é a primeira etapa da Avaliação. A perspectiva dos organizadores é que a 26ª Avaliação Nacional de Vinhos - Safra 2018 reúna amostras de diversas regiões produtoras do país, evidenciando a pluralidade de estilos geradas pelos variados terroirs.

 Em 25 safras, a Avaliação Nacional de Vinhos já apreciou 5.857 amostras e reuniu 16.367 degustadores. O evento é reconhecido por sua proximidade com a cadeia produtiva da uva e do vinho, contribuindo para que a produção do vinho brasileiro evolua em qualidade, tecnologia e reconhecimento.

Encerradas as inscrições, a Associação parte para a segunda etapa: a coleta de amostras, prevista para começar dia 16 de julho. Este processo é feito por um funcionário da Embrapa e/ou membro da diretoria da ABE, que percorre o Brasil, passando por cada vinícola participante. As amostras são retiradas dos tanques, recipientes ou lotes de barricas. Para os vinhos já engarrafados, são solicitadas vistas do estoque para conferir se o volume condiz com as regras.

A terceira etapa envolverá cerca de 100 enólogos brasileiros, que participarão da Degustação de Seleção no Laboratório de Análises Sensoriais da Embrapa Uva e Vinho, durante o mês de agosto. Às cegas, eles avaliarão cada amostra e o resultado somente será anunciado no dia 29 de setembro, no Pavilhão E do Parque de Eventos de Bento Gonçalves, quando cerca de 900 apreciadores conhecerão a relação dos 30% mais representativos em cada uma das cinco categorias. O público poderá, ainda, degustar 16 amostras selecionadas, provando na taça a representatividade da Safra 2018. As inscrições para os apreciadores abrem somente no início de setembro.


23 Fevereiro 2018 10:41:10

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1. Encher demais a taça 
Não é porque algumas taças são grandes e comportam bastante líquido, que devemos colocar toda a garrafa de vinho dentro delas. A taça fica pesada, a aparência fica ruim e torna difícil apreciar o vinho. Sirva a quantidade certa da bebida, o que permitirá girar a taça com tranquilidade, para degustar o vinho com mais prazer e qualidade. 

2. Segurar a taça pelo bojo
Segure sua taça sempre pela haste, e não pelo bojo (ou fundo). A taça de vinho tem uma longa haste por essa razão. Quando você segura a taça de vinho pelo bojo (fundo), o calor de sua mão aquece o vinho, prejudicando a temperatura correta de serviço. 

3. Comprar apenas por conta do rótulo
Regra simples: não julgue o livro pela capa. Em outras palavras, não compre vinho pelo seu rótulo. Às vezes, rótulos simples (e até pouco atrativos) estampam garrafas de vinhos maravilhosos; outras vezes, um rótulo lindo orna um vinho pouco interessante. 

4. Tomar sempre o mesmo vinho
Não se deve ficar preso a apenas um tipo de vinho, ou a variedades específicas, ou ainda a somente algumas regiões. Há uma infinidade de vinhos, decorrentes de milhares de diferentes regiões e castas. Boa parte do prazer que o vinho proporciona advém de suas infinitas possibilidades. Sempre há algo novo e interessante a explorar e desfrutar. 

5. Ficar excessivamente preso às regras clássicas de harmonização
Existem algumas regras tradicionais para a harmonização entre o vinho e a comida: vinho tinto com carne vermelha e vinho branco com frutos do mar. Essas diretrizes são importantes, mas não são regras absolutas. Por isso, não devemos nos ater sempre a essas regras. Como dito acima, há muita alegria na busca por novos vinhos, buscando novas ocasiões para apreciar esta bebida fantástica, especialmente promovendo harmonizações que realçam as qualidades, tanto do vinho, como da comida.


25 Janeiro 2018 17:32:03

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        A vez do Vinho Rosé

    O rosé é um vinho produzido por meio da maceração de uvas tintas que permanecem menos tempo em contato com as cascas, com isso ocorre uma menor extração de antocianinas, que estão presente nas cascas das uvas tintas, e são responsáveis pela coloração dos vinhos. A produção de vinho rosé teve seu início na região de Provence, na França, sendo esta, referência mundial na elaboração desse estilo de vinho. Dados da OIV (Organização Internacional de Vinhos) apontam que, de 2002 a 2014, o consumo mundial de vinho rosé aumentou 20%. Esses estudos refletem uma quebra de paradigma e uma mudança no consumo, juntamente com um aumento dos apreciadores de vinhos entre os mais jovens, entre 18 e 30 anos.

    O vinho rosé possui um enorme potencial no mercado brasileiro, visto que se considerarmos o clima quente, propicia as melhores condições para o seu consumo. São vinhos que apresentam uma acidez marcante, portanto devem ser consumidos a baixas temperaturas, conferindo a esse estilo de vinho um bom frescor. A maioria dos rosés apresenta boa intensidade de notas florais e de frutas vermelhas. São em geral, vinhos leves, frescos, agradáveis e elegantes.

    Uma das grandes vantagens do vinho rosé é sua versatilidade, podendo ser consumidos como aperitivo, no happy hour, na beira da piscina, ou então harmonizando com o alimento. À mesa normalmente se comportam como brancos encorpados ou tintos leves. Adaptam-se a pratos ligeiramente condimentados. Combinam muito bem com pratos leves, saladas, frutos do mar e petiscos leves.

    Quando falamos em vinho rosé, não podemos deixar de falar dos produzidos nas regiões de altitude de Santa Catarina. Devido as condições climáticas específicas, com dias quentes e ensolarados e noites fritas, as uvas amadurecem lentamente, conferindo uma boa complexidade e intensidade aromática, além de preservar os ácidos da uva, com isso, tem-se condições para a elaboração de excelentes vinhos rosé, com uma grande intensidade e complexidade aromática, elegância e frescor. Destacam-se no cenário nacional os elaborados pelas Vinícolas: Villa Francioni, Sanjo e Suzin

    E é de São Joaquim, Santa Catarina, a vinícola líder na comercialização de vinhos rosé no Brasil. A Villa Francioni, com o rótulo VF Rosé possui 20% do mercado nacional, sendo um dos vinhos ícones da Vinícola. A fama do VF Rosé ganhou destaque nacional quando a cantora Madona, degustou e aprovou o vinho rosé produzido em São Joaquim durante uma turnê em São Paulo.



29 Setembro 2017 15:14:42

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O Paradoxo Francês

As virtudes benéficas do vinho vêm sendo discutidas em diversos meios, e foi à divulgação do Paradoxo Francês, em 1991, que despertou a atenção sobre o assunto vinho e saúde.

Durante um programa de televisão dos Estados Unidos, o cientista francês Serge Renaud mostrou que estudos epidemiológicos em escala mundial demonstravam que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronárias que os americanos, sendo que os franceses são mais sedentários, fumavam mais e consumiam mais gorduras saturadas.

Diante desse fato, observou-se que o consumo moderado de vinho poderia ser a explicação para esse fato. O paradoxo foi posteriormente publicado na revista The Lancet, uma das revistas médicas mais bem conceituadas no mundo, o que contribuiu para o aumento do consumo de vinhos tintos, principalmente nos Estados Unidos e que deu origem a uma série de estudos sobre os benefícios do vinho sobre a saúde humana.

Essa informação causou grande impacto. Até então, o que a ciência nos ensinava é que ingerir bebidas alcoólicas era tão prejudicial quanto fumar. Com esses dados um conceito científico teria que ser mudado

Passados mais de 20 anos, milhares de pesquisas confirmaram os dados do Dr. Renaud. Inúmeros estudos explicam os mecanismos pelos quais essa proteção acontece e evidenciam outros efeitos favoráveis do vinho, como a longevidade e a neuroproteção.

Nos vinhos já foram identificados aproximadamente de 200 polifenóis e cerca de 95% tem origem nas cascas e sementes das uvas. E é por isso que os vinhos tintos são considerados melhores para a saúde, pois são fermentados em contato com a casca, o que permite maior extração de substâncias benéficas o organismo humano.

De qualquer modo todas as bebidas alcoólicas, se consumida em excesso, aumentam a exposição a uma vasta gama de fatores de risco. Nesse sentido, o vinho também causa problemas quando consumido além dos limites. A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de uma taça diária de vinho (em torno de 100 ml). Porém não existe uma regra fixa que estabeleça o limite de consumo de álcool por uma pessoa, pois isso é dependente de uma série de fatores inerentes ao individuo, como idade, sexo, estado emocional, e o próprio limite de tolerância ao álcool.

Estudos feitos a partir do Paradoxo Francês mostram que é possível agregar ao prazer de beber benefícios para a saúde. Mas para isso é necessário que se faça junto com as refeições, de maneira regular e moderada, e somente se não houver contraindicação ao consumo de bebidas alcoólicas.


25 Agosto 2017 13:28:39
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Avaliação Nacional de Vinhos 

O evento mais concorrido do Brasil pelos apreciadores de vinhos se aproxima: é a 25ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2017. Depois de inscritas pelas vinícolas, coletadas e avaliadas às cegas por enólogos, as amostras serão apresentadas para um público de 850 apreciadores, que degustarão na taça 16 vinhos classificados entre os 30% representativos da safra. Este grande momento será no dia 23 de setembro, em Bento Gonçalves - RS. A corrida para garantir a vaga inicia às 8h30min do dia 29 de agosto pelo site da Associação Brasileira de Enologia (ABE) – entidade promotora – www.enologia.org.br. 
A experiência, única no mundo, leva o participante a mergulhar no universo dos vinhos brasileiros. São mais de 8 horas de evento, entre abertura, degustação e comentários, homenagens, prova de espumantes e almoço. Um momento também de aprendizado e confraternização. Para o presidente da ABE, enólogo Edegar Scortegagna, é importante que o público fique atento ao período das inscrições, pois as vagas costumam esgotar no primeiro dia. “A Avaliação Nacional de Vinhos é a maior degustação de vinhos de uma safra do mundo e, por isso, um evento muito disputado. A paixão e curiosidade pelo mundo do vinho une centenas de pessoas de todo o Brasil e do exterior”, ressalta.
A 25ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2017 superou os números das quatro últimas edições, alcançando 332 amostras de 59 empresas. Até o dia 31 deste mês, os vinhos serão todos coletados nas vinícolas e durante o mês de agosto serão avaliados às cegas por um grupo de mais de 100 enólogos brasileiros. Com a chancela da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e da União Internacional de Enólogos (UIOE), as degustações seguem normas internacionais sob coordenação técnica da Embrapa Uva e Vinho, que sedia em seu Laboratório de Análise Sensorial a prova dos vinhos. A avaliação também conta com o apoio do IFRS – Campus Bento Gonçalves e da Unipampa – Campus Dom Pedrito.
O resultado é compartilhado com o grande público no dia 23 de setembro no maior momento do vinho brasileiro. 16 amostras, classificadas entre os 30% representativos da safra 2017, são degustadas às cegas por todos, que somente ao final do evento ficam sabendo as variedades e vinícolas. Cada amostra é comentada por um dos convidados especiais que integram o painel de comentaristas. Assim, o evento segue seu caráter lúdico e educativo, permitindo a cada participante fazer sua própria análise e comparar suas impressões com as de especialistas no assunto.
O investimento para associados é de R$ 250. Não associados pagam R$ 310. A partir deste ano, a Fundaparque, administradora do Parque de Eventos onde ocorre a avalição, passará a cobrar R$ 10 para o estacionamento. A cobrança será aplicada a todos os veículos que acessarem o parque, oferecendo cobertura de seguro, além de atuar com uma equipe responsável pela orientação e segurança do local.


29 Abril 2017 12:21:50
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Santa Catarina é destaque no Concurso Mundial de Bruxelas 2017 – Edição Brasil

O concurso Mundial de Bruxelas tem como principal ambição oferecer aos consumidores uma garantia: distinguir vinhos de qualidade, verdadeiros prazeres de consumo e de degustação. A cidade de Bento Gonçalves (RS) sediou entre os dias 4 e 7 de abril de 2017, a 15ª edição brasileira do Concurso Mundial de Bruxelas; o mais importante concurso de vinhos e destilados do mundo. A competição avaliou apenas amostras brasileiras, com o objetivo de revelar os melhores rótulos e projetá-los no mercado nacional e internacional. Na edição 2017 foram mais de 200 amostras de vinhos de todo o país. Foram três dias de avaliações, que contou com jurados do Brasil, Chile, Itália, Bélgica, Luxemburgo e França.
Entre os diversos vinhos premiados, São Joaquim se destacou com três premiações, uma medalha grande ouro, uma medalha de ouro e uma medalha de prata. Todas as três medalhas foram recebidas pelos vinhos elaborados pela Vinícola Hiragami. Abaixo segue a premiação que cada vinho recebeu:

Medalha de Grande Ouro:
Torii Cabernet Sauvignon - Vinícola Hiragami 2013
Moscatel Espumante - Vinícola Panceri 2016
Panceri Brut Sauvignon Blanc - Vinícola Panceri 2016
San Michele Barone - Vinícola San Michele 2015
San Michele Tridentum - Vinícola  San Michele 2014    

Medalha de Ouro:
Torii Merlot - Vinícola Hiragami 2013
Imortali - Vinícola Santa Augusta 2012
San Michele Riserva - Vinícola San Michele 2013
San Michele Maso Alto - Vinícola San Michele 2014

Medalha de Prata:
Torii Cabernet Sauvignon - Vinícola Hiragami 2008





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