Vinicius Lummertz
21 Dezembro 2018 08:31:00

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Brasil, potência mundial do turismo (3)

Neste último artigo desta série que se reporta ao futuro lançamento do meu livro "Brasil, potência mundial do turismo", com prefácio do fundador e CEO do grupo Amana-Key, apresentação do sociólogo italiano, Domenico de Masi e participação de 20 líderes que são formuladores de um novo momento para o turismo e para a própria economia nacional, vou apontar caminhos não apenas para o setor, mas também para nossa economia. Com a liberalização econômica que todos esperam - concessões, privatizações, parcerias público-privadas, desestatização e, especialmente, a aprovação de reformas de base como a tributária e a da previdência - será possível revalidar a meta de reverter o déficit na conta de viagens internacionais nos próximos anos. 

Ainda é possível acreditar que, em 2022, como previsto no plano estratégico elaborado em 2013 e corroborado pela nova edição em 2018, o número de visitantes estrangeiros no Brasil chegue a 12 milhões, que deixariam aqui uma receita (direta) de 19 bilhões de dólares. Cumprida essa previsão, o turismo, que já se encontra entre os dez principais itens brasileiros de exportação, subiria ainda mais no ranking da balança comercial de bens e serviços.

O salto no setor exigirá políticas públicas e ações com impacto positivo em vários elos da cadeia produtiva do setor. Para isso, o turismo tem que ser tratado como política de Estado. Faz-se necessário vencer barreiras que dificultam a abertura do país ao turista estrangeiro e promover uma radical mudança no ambiente de negócios, para atrair parcerias privadas. Reduzir a burocracia, flexibilizar a exigência de vistos de entrada e aumentar investimentos nacionais e internacionais - governamentais e privados - em cidades, orlas, marinas, portos, parques naturais, parques temáticos, resorts e cidades históricas.

O Brasil precisa acompanhar a passada do planeta. A visão prospectiva da Organização Mundial do Turismo e os estudos do Ministério do Turismo dão conta de que 1,4 bilhão de turistas internacionais estarão em movimento pelo mundo em 2020, projeção que se eleva para 1,8 bilhão em 2030. As propostas que aqui apresento se dão num momento em que o setor de turismo e viagens está em um ciclo de inflexão no Brasil. Tanto podemos marchar para uma nova fase de expansão, em caráter duradouro e profundo, como também corremos o risco de escolher o caminho inverso, nos mantendo encapsulados em dificuldades intransponíveis e dogmas doutrinários ultrapassados.

Esta é a encruzilhada que se apresenta ao país nesta viagem para o futuro. Se tomarmos o caminho errado, nunca seremos o Brasil, potência mundial do turismo.


Vinicius Lummertz
19 Dezembro 2018 16:09:00

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Brasil, potência mundial do turismo (2)

No primeiro artigo dessa série contei a você que estou às vésperas do lançamento do livro Brasil - Potência mundial do turismo, com apresentação do sociólogo italiano Domenico De Masi - conhecido mundialmente pelo conceito do "ócio criativo" e com a participação de 20 líderes que são formuladores de um novo momento para o turismo e para a própria economia nacional. Os dados mostram que o Brasil tem subaproveitado um setor que movimentou 8,3 trilhões de dólares (estamos falando de algo em torno de R$ 32 trilhões). A primeira razão disso é que o turismo ainda não assumiu - como proponho no livro - um protagonismo inédito na agenda da economia brasileira, na magnitude que ostenta em países como mais avançados. O que temos hoje é que o turismo contribuiu com nada menos do que 7,9% do PIB do país em 2017, se consideradas, além das atividades diretas e indiretas, também aquelas induzidas por esse grande eixo de dinamismo e geração de riquezas. 

Também em valores de 2017, a contribuição total do setor ao país foi de 163 bilhões de dólares (cerca de R$ 635 bilhões), de acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC). Mesmo sendo números muito expressivos - e que mostram resultados do trabalho que estamos realizando - ainda é pouco se considerarmos os 8,3 trilhões de dólares movimentados pelo mundo: estamos apenas em 8º lugar na América Latina, atrás de México, Costa Rica, Cuba, Chile, Argentina, Peru e Guatemala.

E não é por acaso que os países que lideram esse ranking são aqueles que direcionam maior percentual do PIB para investimentos no setor, como Cuba (21,6%), Chile (10,5%), Guatemala (8,3%) e Argentina (7,5%). No Brasil, esse percentual não passa de 6,1%. Nos países europeus, essa relação fica ainda mais evidente. Em 2017, o turismo na Grécia contribuiu com 19,7% do PIB, diante de 15,9% de investimentos. Em Portugal, o investimento de 10,2% do PIB gerou uma contribuição do turismo de 17,3% do produto nacional.

Essa relação investimento/resultados econômicos reflete decisões que levaram o turismo para o centro da agenda política e econômica. Para esses países, o setor já representa a saída procurada. Na escala da Organização Mundial do Turismo (OMT), foram registradas em todo o mundo 1,322 bilhão de chegadas de turistas internacionais em 2017 - das quais os países da Europa respondem por 51%. Mesmo com o recorde histórico de 6,588 milhões de chegadas internacionais no ano passado, o Brasil representou pouco menos de 0,50% do movimento global no período.

Não são números para desanimar. Pelo contrário, nos incentivam a trabalhar ainda mais devido ao alto potencial - reconhecido como o maior do planeta - que o país tem para desenvolver o setor. Esse potencial é o tema do nosso próximo artigo sobre o livro Brasil, potência mundial do turismo.


Vinicius Lummertz
29 Novembro 2018 08:34:00

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Lições do dinamarquês

Em meados de agosto uma missão de técnicos, ambientalistas, empresários, representantes de entidades do trade turístico e dos movimentos sociais em favor de Florianópolis, liderada pelo empresário Valério Gomes, o arquiteto Giovanni Bonetti e por mim, foi a Copenhague, na Dinamarca, com o objetivo de trazer para cá o conceito de "cidade para as pessoas" - o mais avançado ambiental e urbanisticamente no planeta - cujo "pai" é o arquiteto dinamarquês Jan Gehl. Apesar do curto espaço tempo, aprendemos muito com Gehl, não só na sua brilhante palestra, mas também andando a pé e de bicicleta pela cidade, hoje considerada a mais feliz do mundo. Para chegar a esse patamar, Copenhague, que estava quebrada em 1980, rompeu paradigmas, mudou conceitos da sua própria população e estabeleceu prioridades sob a batuta do maestro Gehl. 

Voltamos entusiasmados da Dinamarca, mas fomos recebidos com uma ducha de água fria, despejada via imprensa e redes sociais. A tônica das críticas: por que ir buscar um arquiteto - na verdade, "o" arquiteto, considerado um dos dois melhores do planeta - na Dinamarca se temos tantos bons profissionais aqui? É verdade, temos mesmo e não vou nominar os que me vêm à cabeça, para não ser injusto com os excelentes arquitetos catarinenses. No entanto, eles próprios aprenderam na escola: quando um arquiteto é excepcional, dá lições ao mundo - basta lembrar de Oscar Niemeyer e Le Corbusier, que deixaram obras, hoje patrimônios da humanidade, espalhadas pelo planeta. 

Como já estamos acostumados - os integrantes da missão e eu - a esse tipo de crítica, absorvemos o choque, sem nunca perder a meta, tenacidade essa que vem da nossa "casca grossa" depois de lutar durante décadas pelo turismo. Pois eis que então na edição de 13 de novembro a Folha de S. Paulo traz um artigo do articulista da página 2 Alvaro Costa e Silva, sob o título de "As lições do dinamarquês". Diz ele que está em cartaz no Centro Carioca de Design a exposição "Jan Gehl: a Vida nas Cidades" e que o protagonista, de 82 anos, "defende um conceito básico: 'Menos carros, mais gente'". 

O jornalista conta ainda que Gehl conseguiu reduzir o tráfego de veículos na Times Square, em Nova York, e expandir os espaços públicos em Melburne, Austrália. Em entrevista, Gehl criticou a invasão de carros em cidades como São Paulo e Rio. Afirmou: "É preciso dar boas condições para se caminhar, andar de bicicleta e usar o transporte público. Isto é o mais simples e barato que você pode fazer em qualquer cidade do mundo". 

No artigo, Costa e Silva sugere que o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, "dê uma passadinha" para ver a exposição e, quem sabe, mudar seus conceitos. Veja só. Nós tivemos a oportunidade de estar frente a frente com Gehl e receber um sinal de que poderia olhar por Florianópolis e SC. Se acontecer, que sejamos humildes para aprender e valorizar as lições do dinamarquês.


VINICIUS LUMMERTZ
01 Novembro 2018 11:09:39

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Sem o turismo a conta não fecha

Vem aí um novo governo e com ele os desafios de temas básicos como saúde, educação, segurança e saneamento. Foram apresentados nas campanhas novos modelos de gestão e compromissos de elevar os padrões de qualidade dos serviços entregues à população. Só não se falou muito de quem vai pagar a conta. Com o Brasil produzindo um quarto dos mercados mais eficientes e com um déficit público nominal de R$ 562,8 bilhões, a discussão sobre a fonte que vai custear o estado de bem-estar de direito é fundamental.

Não é possível criar uma democracia social por decreto. A saída passa, necessariamente, pelo aumento da produtividade e busca de novos investimentos com a melhoria do ambiente de negócios. Na captação do empreendedor genuíno, com recursos e know how para começar um negócio do zero, gerando novos empregos, o turismo surge como solução óbvia para impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento no país.

O Brasil tem a maior diferença do planeta entre o realizado e o potencial no setor de viagens e turismo. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, estamos em primeiro lugar no mundo num ranking com 136 nações no quesito atrativos naturais, mas recebemos pouco mais de 10 milhões de visitantes nas unidades de conservação enquanto os Estados Unidos recebem mais de 300 milhões de pessoas.

Mais de 1,3 bilhão de pessoas viajaram pelo mundo no último ano, mas menos de 0,5% delas escolheram o Brasil como destino. Enquanto os brasileiros deixaram US$ 19 bilhões nos destinos internacionais em 2017, os estrangeiros injetaram apenas US$ 5,8 bilhões na economia nacional, um déficit de US$ 13,2 bilhões.

Apostar no desenvolvimento econômico de um país pelo turismo é entender o efeito cascata de um setor que impacta 52 atividades. Um setor que compra um carro a cada quatro minutos, seis milhões de roupas de cama e banho, 120 mil televisões e 140 mil telefones por ano.

O mundo nunca esteve tão conectado, mas o Brasil está à margem da comunidade global. Atualmente estamos na 96ª colocação no quesito abertura internacional. No discurso, a defesa do turismo no país é unanimidade. Mas, na prática, a teoria é outra. Estamos na 106ª colocação no quesito priorização do turismo. Em números absolutos, enquanto os EUA investiram US$ 302 bilhões e a China US$ 216 bilhões no setor, o Brasil aportou só US$ 28,5 bi no setor no último ano.

No Brasil o turismo é encarado como vagão, quando, na verdade, é locomotiva. Não há nenhum outro setor no Brasil capaz de gerar dois milhões de empregos nos próximos quatro anos. Defender a social democracia, saúde, segurança e educação sem mostrar quem arca com os custos é demagogia. E, sem o turismo, a conta não fecha.


Vinicius Lummertz
26 Outubro 2018 14:45:30

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É muito vista na internet uma entrevista do ex-presidente da Embraer, Osires Silva, ao programa Roda Viva, em que ele revela o motivo de o Brasil não ter um Prêmio Nobel. Silva lembra aos seus entrevistadores que países como Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile já foram agraciados com o Prêmio Nobel e os Estados Unidos têm mais de 300. Então ele conta a história de um jantar em Estocolmo, sede da academia que concede o Nobel, quando sentaram à sua frente três membros do comitê que decide sobre as indicações. "Perguntei a eles por que o Brasil até hoje não foi premiado e, apesar de constrangidos, eles responderam que 'vocês, brasileiros, são destruidores de heróis'". Contaram ainda que os indicados brasileiros foram criticados pelos compatriotas e que constataram que eles não tinham sequer o apoio da população. 

Utilizo essa - triste - cena para ilustrar o que quero dizer nesse artigo: estamos lutando contra nós mesmos e, assim, destruindo o país. Infelizmente os membros do comitê do Nobel têm razão quando afirmam que somos destruidores de heróis. Tomo outro exemplo no exterior para fundamentar essa afirmativa: Thomas Jefferson, terceiro presidente norte-americano, é o principal autor da Declaração da Independência e um dos pais da democracia. Apesar de publicamente contrário à escravatura, mantinha 600 escravos em uma de suas plantações e, quando ficou viúvo, passou a ter como amante a escrava Sally Hemings, com quem teve pelo menos um filho. Hoje os norte-americanos homenageiam Sally inclusive com um memorial, mas em nenhum momento eles perderam a percepção de que Jefferson é um herói nacional. 

Ao contrário, nós no Brasil de hoje estamos destruindo tudo o que vemos pela frente. Há uma disputa insana pelo poder em todos os setores. Grandes bancos, empresas "campeãs nacionais" ajudadas por uma relação favorecida com o governo (e depois abalroadas pela Lava Jato), lideranças políticas e próprios poderes da República. Porém, esquecemos que somos um país ineficaz e ineficiente, que não celebra o talento, o mérito. Aceleramos o nosso senso crítico, mas acabamos fazendo disso uma arma contra nós mesmo, contra os nossos valores. 

Precisamos de uma mudança cultural, para destacar valores que não são apenas o da honestidade, da probidade e da eficiência com o gasto público, mas que afaste a inveja que temos do empreendedor ou daquele que faz sucesso. Temos que ter orgulho de patrimônios que erguemos com muito talento, esforço e inteligência, como a Embraer de Ozires Silva. Este é um 'herói nacional', que deveríamos cultuar como exemplo. Seria um bom começo para deixarmos de ser 'destruidores de heróis', como acusaram os membros do comitê do Nobel, para passarmos a ser construtores de heróis.


Vinicius Lummertz
22 Outubro 2018 09:00:00

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No artigo anterior argumentei que o povo catarinense construiu patrimônios inestimáveis ao longo da sua história. Entre eles, os setores têxtil e o agronegócio, que, no meu conceito, são ícones que representam como nós mesmo nos vemos, e também como os outros, no Brasil e no mundo, nos veem.  

Fiz um apanhado do setor têxtil - com destaque para os seus 170 mil empregos - e agora vou mostrar um pouco do que é o agronegócio, sem dúvida a marca registrada de SC mais conhecida em todo o planeta.  

O agronegócio e o setor carnes, especialmente, construíram um patrimônio que começa na nossa colonização e segue até os dias de hoje, e que tem como sua base um Sistema de Integração com mais de 200 mil pequenos agricultores familiares e um outro sistema, o cooperativista, que hoje se destaca inclusive no mercado financeiro nacional. Esses dois sistemas são o que há de mais justo socialmente: minifúndios produzem para as grandes indústrias por meio do cooperativismo, garantindo renda familiar, educação, saúde e uma boa qualidade de vida para milhões de catarinenses envolvidos na cadeia do agronegócio.  

Essa cadeia movimenta milhões de caminhões por mês, tem alto consumo de energia e consome produtos agregados como papel e papelão, que são os que mais representam em arrecadação. Diretamente, os setores de aves e carnes são duas potências mundiais. O primeiro exportou para 120 países 46,1% das 2,1 milhões de toneladas que produziu em 2017, gerando 1,8 bilhão de dólares - 25% do total das exportações de aves do Brasil no ano passado. Já o setor de suínos exportou para 50 países 28,2% das 980 mil toneladas, com um resultado de 639 milhões de dólares e representando 40% das exportações brasileiras. 

Juntos, aves e suínos geram 59 mil empregos diretos, o que significa uma massa salarial de R$ 1,45 bilhão injetada na economia catarinense. Mas esse desempenho extraordinário - que significam retorno à sociedade e ao governo em forma de empregos, salários, consumo e impostos - só é possível porque nossa agroindústria é padrão de referência sanitária internacional. E ela mesma que financia os programas que possibilitam essa excelência, como o Instituto de Sanidade Animal (Icasa), o Fundo de Sanidade Animal (Fundesa), que juntamente com o Fundo de Desenvolvimento Rural e o programa de milho e calcário, são contrapartidas da agroindústria aos incentivos à economia que recebe.  

Esta é a melhor forma de defender esse patrimônio do povo catarinense: quando o faturamento cresce, os impostos crescem e os empregos crescem é porque a política de defesa e promoção do setor produtivo está dando certo. Bom lembrar também que essa defesa permite mais investimentos e modernização tecnológica e de criação, design e marcas. Quando as pessoas, as empresas e o Estado querem a mesma coisa é porque o caminho está certo.


Vinicius Lummertz
16 Outubro 2018 14:03:00

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Nossa colonização com etnia diversificada, de maioria europeia, construiu inestimáveis patrimônios ao longo da história de SC. Entre eles, sem dúvida, dois que nasceram do trabalho árduo, da necessidade de atender necessidades básicas das nossas famílias e também de criar a base para o desenvolvimento econômico e social. Os setores têxtil e do agronegócio - mais do que simples "setores econômicos" - são ícones que representam como nós mesmo nos vemos, e também como os outros, no Brasil e no mundo, nos veem. São uma perfeita tradução do que é Santa Catarina e fazem parte do nosso cenário, assim como a nossa deslumbrante paisagem humana e natural.

Hoje são dois setores gigantes da nossa economia. Numa visão resumida e fria, basta dizer que o setor têxtil emprega nada menos de que 170 mil trabalhadores, cuja massa salarial gera mais de R$ 4,5 bilhões que são injetados mês a mês, via consumo, na nossa economia. No que se refere aos tributos, a indústria aumentou em 39% a sua arrecadação de ICMS de 2016 (R$ 546 milhões) para 2017 (R$ 759 milhões).

Considerando o atual patamar da automação, o setor oferece alta empregabilidade e tem tirado milhares e milhares de pessoas da informalidade, do fundo do quintal. A Moda catarinense é uma marca registrada internacional - e isso também se deve a uma cadeia de faculdades, escolas e cursos técnicos que formam hoje um complexo educacional e cultural no entorno da indústria de confecções. Essa alta qualidade e referência fazem com que, por exemplo, nossas empresas recebam encomendas para fazer roupas para os astronautas da Nasa.

No entanto, esse patrimônio esteve prestes a desaparecer no início deste século, quando sofreu uma avassaladora concorrência dos produtos asiáticos, somada às turbulências da economia nacional. Sua recuperação, recente, é resultado de uma política fiscal e de programas de incentivo criados nos governos de Luiz Henrique da Silveira, especialmente por volta de 2007.

O patrimônio do setor têxtil não é importante apenas para dar empregos e movimentar a economia catarinense. É também uma forma de atração turística - e podemos lembrar aqui que, nos anos 80, os turistas vinham para cá "para comprar malha em Santa Catarina". Como patrimônio histórico, cultural, turístico e econômico, a indústria têxtil catarinense merece ser defendida por uma política de Estado justa, inteligente e rigorosamente fiscalizada.

Assim como o tema da segunda parte desse artigo, a agroindústria - cujo enorme patrimônio é a marca registrada de SC mais conhecida no planeta - o setor têxtil nos dá uma clara medida para sabermos se uma política de incentivos está funcionando: quando o faturamento cresce, os impostos crescem e os empregos crescem é porque a política de defesa e promoção produtiva está dando certo.


Vinicius Lummertz
05 Outubro 2018 15:11:14

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Um dado que salta aos olhos na Pesquisa Fecomércio Inverno na Serra de Santa Catarina 2018, recentemente divulgada, é a expressiva parcela de visitantes que citou o ecoturismo, o turismo de aventura e o turismo gastronômico como motivo para a visita. O número mais que triplicou, chegando a 24,3%, diante do tímido resultado em 2017 (7,5%). Assim, esses três itens alcançaram quase a metade do principal motivo que leva os visitantes à Serra: o próprio inverno, o frio e a neve. Ao fazer um estudo da pesquisa, pudemos concluir que só esse dado já demonstraria o valor que o trabalho da Fecomércio representa para o turismo catarinense. 

Senão vejamos: a tendência em todo o mundo é uma forte ampliação de uma série de modalidades de turismo que não mais aquele tradicional - como, por exemplo, o dos turistas argentinos que vêm para Santa Catarina principalmente para passar as férias na praia. Nos dias de hoje, os turistas de todo o planeta buscam emoções e lugares diferentes. Por isso, cresce o chamado "turismo de experiência", no qual as operadoras oferecem aos seus clientes a sensação de se misturar à cultura e à população do lugar para onde viajam. 

Assim também são o ecoturismo, o turismo de aventura e o turismo gastronômico, exatamente esses que cresceram no último inverno na Serra. Nesse cenário, a pesquisa também aponta para o seguinte: assim como no nosso litoral, precisamos promover desde já a chamada "dessazonalização" do turismo na Serra, ou seja, não concentrar mais em apenas uma estação. 

Porém, desconcentrar o fluxo de turistas de determinadas estações não é uma tarefa fácil - é, com certeza, um dos meus maiores desafios como ministro. Para criar novos mercados de turismo, que vão desde o turismo de negócios e eventos até o turismo esportivo, religioso e de experiência, é preciso investir fortemente em infraestrutura, não só em equipamentos e profissionais qualificados nas áreas de hotelaria, transportes, centros de eventos, gastronomia, comércio, serviços e lazer, como também na integração e na internacionalização das nossas regiões turísticas. Temos que investir também em parques temáticos, parques e reservas naturais, museus, centros históricos, enfim, em tudo aquilo que atrai o turista contemporâneo e que não necessariamente depende da estação. 

Como você vê, o desafio é muito grande. Em Santa Catarina, precisamos ampliar a participação do turismo no PIB, que hoje é de quase 13%. Nesse esforço, também fazemos parte importante da meta traçada pelo Ministério do Turismo de dobrar os 6,5 milhões de turistas estrangeiros por ano no país. 

Para construir essa alavanca de desenvolvimento pela trilha do turismo não basta apenas ser a Santa e Bela Catarina, não basta apenas a neve no inverno e as praias paradisíacas no verão. É preciso ser uma grande atração, de janeiro a janeiro.


Vinicius Lummertz
01 Outubro 2018 12:45:00

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Poucos veículos de comunicação tiveram tanta capacidade de colocar o turismo no centro da sua pauta como o especial 50 Anos da Revista Veja. A reportagem enumera praticamente todos os grandes desafios do nosso setor e indica caminhos para que o Brasil, "apontado pelo Fórum Econômico Mundial como o país com o maior potencial em recursos naturais do planeta, que consegue atender as exigências do turista sintonizado com os tempos atuais". As lições de Veja servem também para SC. A começar pela constatação de que, hoje em dia, não se pode mais contar apenas com as belezas naturais. 

Ficar apenas no estereótipo "somos o país mais lindo do mundo" é estagnar no competitivo mercado turístico internacional, que hoje faz 1,3 bilhão de turistas circularem pelo planeta - e, deles, apenas 6,5 milhões vêm ao Brasil por ano, mesmo número dos que vão ao Chile. Segundo Veja, temos metade do território da América do Sul, mas só recebemos um quarto dos turistas. 

"Alguma coisa está errada. Em outras palavras, o Brasil tem de se reinventar. E rápido", afirma a revista. Como fonte de informação para a reportagem, pude fazer algumas colocações no sentido dessa reinvenção. Uma delas é o investimento em parques naturais. Para se ter uma ideia, o Brasil tem 66% do território coberto por reservas naturais, enquanto os EUA apenas 19%. No entanto, os parques americanos recebem 330 milhões de turistas por ano, enquanto os nossos apenas 9 milhões. Para mudar o jogo, não basta só dinheiro, mas também nesse item aplicamos pouco no que diz respeito ao meio ambiente: R$ 3,7 bilhões por ano, menos do que o orçamento da Câmara dos Deputados. 

Um dos pontos fundamentais da reportagem de Veja é a seguinte frase: "O Brasil precisa encontrar uma nova marca". Sim, como fez o Peru, por exemplo, que investiu na gastronomia e hoje é considerado o principal destino gastronômico do planeta, desbancando França e Espanha. A Colômbia tirou o foco das praias e passou a vender sua música. Os resultados causados por essa mudança de estratégia levaram a que esses nossos dois vizinhos fossem apontados pelo New York Times como dois lugares que merecem visita. "O Brasil ficou de fora", diz a Veja. 

Temos feito um enorme esforço - vistos eletrônicos para facilitar a vinda de estrangeiros, atrair empresas aéreas de baixo custo (para isso precisamos abrir o capital das nossas companhias para empresas estrangeiras, mas o projeto patina no Congresso), realizamos campanhas nacionais e internacionais, colocamos R$ 5 bilhões no Prodetur + Turismo para a iniciativa pública e privada, entre outras dezenas de ações. Mas, como eu digo na reportagem de Veja: "Há um caminho árduo pela frente, porque nosso país resiste a mudanças, porém se quisermos dobrar o fluxo de turistas internacionais para 12 milhões até 2022, teremos que agir".


Vinicius Lummertz
17 Setembro 2018 09:08:00

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Desde 1985, quando o economista Theodore Levitt publicou 'A Globalização dos mercados', o mundo caminha inexoravelmente para a internacionalização. De lá para cá, as nações mais adiantadas exportam modelos de desenvolvimento que, cada vez mais, visam a sustentabilidade e a preservação. Exemplo recente é a Indústria 4.0, a quarta geração da produção industrial, que vem sendo difundida pela Alemanha e adotada em países como o Brasil e, mais aceleradamente, por SC. Se hoje a internacionalização é um modelo consagrado, é preciso lembrar que há 20 anos era obra de visionários, como o ex-governador Luiz Henrique. Poucos entenderam quando ele trouxe para Joinville a única escola do Balé Bolshoi fora da Rússia, ainda no ano 2000. 

Hoje, quando Joinville realiza o maior Festival de Dança do mundo, é possível enxergar com toda a clareza o resultado da internacionalização que começou pela arte: de acordo com a Associação Empresarial (ACIJ), um terço das médias e grandes empresas já são multinacionais e, dos 5 mil colaboradores das 140 empresas instaladas no Perini Business Park, o maior condomínio multisetorial do Brasil, metade são estrangeiros. Joinville (e região Norte) internacional é um modelo para toda SC. É nossa capital cultural, papel que até os anos 80/90 foi ocupado por Florianópolis, onde há uma enorme reatividade à internacionalização. Não fosse o setor de TI, hoje responsável por 45% do PIB da cidade, a Ilha que ainda está de costas para o mar continuaria apenas crescendo desordenadamente, como o faz há mais de 30 anos. 

A reatividade florianopolitana é de assustar. Assusta, por exemplo, a reação de entidades do setor turístico à afirmação do CEO do novo Floripa Airport, o suíço Tobias Markert, de que não adianta construir um aeroporto para dobrar o movimento atual de passageiros de 4 para 8 milhões por ano, se não houver uma rede hoteleira à altura. Porém, a afirmação do estrangeiro soou como ofensa a representantes do setor hoteleiro. Ora, o que Tobias quis dizer foi que, com o dobro de passageiros, precisamos ampliar a rede hoteleira e - importante - construir mais hotéis de categoria internacional. É uma conta de dois mais dois. 

O mesmo aconteceu quando fomos a Copenhague, Dinamarca, com representantes do movimento Floripa Sustentável, empresários e urbanistas para buscar trazer o conhecimento deles em mobilidade urbana e o conceito "cidade para as pessoas". A reação foi a mesma. É lamentável: hoje Florianópolis só tem, a rigor, uma grande obra no prazo - a despoluição da orla na Avenida Beira Mar Norte. Obra importante, mas que terá pouco retorno para a sociedade e a economia (empregos, renda, salários, arrecadação) se for só para tomar banho de mar. Sem marinas, restaurantes, bares, casas de espetáculo e hotéis de nível internacional, continuará apenas Florianópolis sendo Florianópolis.


Vinicius Lummertz
11 Setembro 2018 09:00:00

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Se a imprensa catarinense, que em julho completou 187 anos de fundação, não merecer um capítulo especial no processo de desenvolvimento social e econômico de SC, com certeza o livro da nossa história estará não apenas incompleto, mas fatalmente ilegível. Afinal, a memória dos nossos jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão se confunde com a colonização catarinense - várias etnias acabaram por criar seus próprios veículos de comunicação, muitas vezes na língua do país de origem - e no desenvolvimento da Santa Catarina moderna, a partir dos anos 80, tendo papel fundamental para que o estado seja hoje referência nacional e internacional. 

Com cerca de 300 títulos de jornal, mais de 250 emissoras de rádio e grandes redes de televisão, a Comunicação de SC é uma das mais fortes do país. Faz parte do dia a dia dos catarinenses, como o pão e o café da manhã e sua presença nas menores cidades das regiões mais distantes torna imprescindível seu papel de porta-voz das comunidades. 

É essa imprensa que guarda a nossa história, tradições e cultura - no que se refere aos jornais, que são memória viva, hoje boa parte deles já passou pelo processo de digitalização e pode ser acessado pela internet via Biblioteca Pública de Santa Catarina. A esse trabalho se junta a nova Casa do Jornalista, na Agronômica, na Capital, que terá não só a memória da imprensa, mas também áreas para apresentação e aprendizado de novas tecnologias na área de comunicação. 

Fundamental para o fortalecimento da imprensa, o trade de Comunicação de SC teve impulso a partir de 2003, no primeiro governo de Luiz Henrique. Conhecedor como poucos do valor da imprensa para o passado e o futuro do Estado, ele criou uma política que estabeleceu a mídia técnica como condição para distribuição da propaganda estatal e, sempre, via entidades do trade, como forma de valorizar o associativismo. Assim, cresceram e se consolidaram a Associação dos Jornais do Interior (Adjori), a Associação dos Diários do Interior (ADI), a Associação de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert) e até os sindicatos de revista e jornais (Sindejor) e de propaganda (Sinapro). 

Se é importante para todos os setores da vida catarinense, nossa imprensa é fundamental para o turismo. Nossos veículos criaram ao longo dos anos uma cultura em que o turismo faz parte da sua pauta diária. Assim, divulgam dentro e fora do Estado as nossas rotas turísticas, as festas regionais, o litoral, as serras, as águas termais, a exuberância da nossa gastronomia e da nossa enologia. E não só isso: são porta-vozes da necessidade de obras de infraestrutura e de empreendimentos públicos e privados para o turismo. 

É preciso retomar a ação de fortalecimento do nosso trade de Comunicação. Imprensa forte e independente é sinônimo de democracia.


Vinicius Lummertz
04 Setembro 2018 09:25:36

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Quando a Federação das Indústrias iniciou a pesquisa para identificação dos setores portadores de futuro em SC, em 2012, constatou que o turismo foi eleito como uma das prioridades em todas as regiões e se configurava como um dos indutores de desenvolvimento. A pesquisa revelou também que, entre os 16 setores identificados, estava a Economia do Mar, e esta ganhou também uma Rota Estratégica e um Masterplan para figurar no Programa de Desenvolvimento Industrial, o PDIC 2022. 

Num estado que tem "como maior ativo o seu patrimônio imobiliário fronteiriço costeiro", como dizia o professor Alcides Abreu (1926/2015), um dos "pensadores" catarinenses, o turismo - que já impacta outros 53 setores da economia - encontra grande convergência com a Economia do Mar. Esse "novo" setor abrange os alimentos do mar, a indústria naval, portos e transporte marítimo e os recursos oceânicos. O trabalho da Fiesc traz informações de valor inestimável para a construção do futuro de SC. Por exemplo: somos o maior produtor de pescado do Brasil - que é 18º no mundo - mas ainda dependemos em mais de 50% da pesca extrativista, onde existe muita informalidade, enquanto a sustentável aquicultura representa menos que a outra metade.

Na visão do PDIC 2022, Santa Catarina deve perseguir uma liderança nacional em produção sustentável de alimentos do mar, com alto valor agregado. Este é um dos pontos em que vejo a Economia do Mar cruzando com o turismo. Tenho defendido que a nossa produção de alimentos, e não só do litoral, com suas ostras e botargas, mas também de todas as regiões, com as proteínas do Grande Oeste, os vinhos da Serra e todas as demais preciosidades gastronômicas catarinenses, deixem de ter apenas como objetivo a exportação em forma de commodities, quase 'in natura', para se transformarem em mais um fator de atração turística.

Temos que vender esses produtos aqui, para turistas nacionais e estrangeiros, em forma de alta excelência gastronômica, nos nossos restaurantes, bares e hotéis - e só assim eles poderão ter alto valor agregado e também agregar valor ao turismo. Também no alinhamento com o turismo, marinas e portos turísticos são essenciais para a Economia do Mar frutificar.

A Economia do Mar e o Turismo vão cruzar definitivamente seus caminhos quando forem atingidas as metas traçadas para ambos no PDIC. No caso do primeiro, a citada liderança nacional em produção de alimentos do mar, uma indústria naval de referência no desenvolvimento tecnológico e no fornecimento de navipeças e embarcações, portos e transporte marítimo com modelo de efetividade, integração e sustentabilidade e logística multimodal, e a excelência em conhecimento, exploração e transformação sustentáveis de recursos oceânicos.

Mas é preciso começar já. E isso você pode cobrar dos candidatos ao governo e também dos futuros governantes.


Vinicius Lummertz
28 Agosto 2018 08:57:44

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Estamos vivendo um novo momento em duas de nossas principais 'think tanks' - expressão criada pelo escritor norte-americano Paulo Dickson para denominar fábricas de ideias, círculos de reflexão ou ainda laboratório de ideais. Mario Cesar de Aguiar assume a Federação das Indústrias, depois de sete anos revolucionários sob o comando de Glauco José Côrte, e Bruno Breithaupt vai para o terceiro mandato na Fecomércio SC com o desafio de renovar o setor e também a própria Confederação Nacional do Comércio (CNC), há 37 anos nas mãos do mesmo presidente. 

É preciso deixar claro que, antes de serem fábricas de ideias, Fiesc e Fecomércio desenvolvem atividades que são fundamentais para que o desenvolvimento da indústria, do comércio de bens, serviços e turismo de SC chegassem ao patamar que chegaram, transformando-se em referência nacional e internacional. Por trás de tudo isso a Fiesc, por exemplo, tem 140 sindicatos filiados, 16 vice-presidências regionais. Sob sua batuta estão o Senai/SC, com 65 unidades fixas, 23 móveis, 454 salas de aula, 726 laboratórios didáticos e atuação em 250 cidades; e o Sesi, com unidades regionais que cobrem cerca de mil pontos no estado, prestando diariamente 300 mil atendimentos. Já a Fecomércio congrega 72 sindicatos dos setores de serviços, habitação, varejo, atacado, turismo, supermercados e comércio farmacêutico em Santa Catarina e também é gestora do Sesc (52 unidades fixas e móveis) e Senac (29 unidades operativas). 

Mas as duas entidades são, como já disse, fábricas de ideias. E essas ideias surgem a partir de informações precisas, seguras e inéditas que são obtidas por intermédio de bureaus ultramodernos como o Observatório da Indústria, da Fiesc, ou das pesquisas Fecomércio SC sobre os resultados e tendências da temporada de Verão, festas regionais ou mesmo sobre projeções e resultados nas grandes datas do comércio. Foi assim, com base científica, que a Fiesc identificou 16 setores portadores de futuro na economia catarinense - e, na parte que me toca, destaco que o turismo está entre as prioridades em todas as regiões. 

Importante ressaltar também que, quando foram construídas as Rotas Estratégicas e o Masterplan para o setor turístico, a Fiesc contou com a parceria efetiva da Fecomércio e do Sebrae - este, outra think tank de SC. O Turismo foi o último dos 16 volumes produzidos para constituir o Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC) 2022, que é imprescindível a qualquer governo que não se furte à responsabilidade de projetar o desenvolvimento catarinense não só para os próximos quatro anos, mas também para a décadas vindouras. 

Nossas think tanks nada mais são do que o resultado do empreendedorismo, do trabalho e do talento do povo catarinense - instituições que se confundem com nossa própria história e com aquilo que queremos ser um dia.


Vinicius Lummertz
20 Agosto 2018 15:02:53

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No dia em que estava escrevendo este artigo sobre o novo movimento promovido por órgãos e entidades turísticas do país e que tem como mote Turismo - Nosso trabalho gera empregos, recebi a notícia de que serão pelo menos 28 paradas de navios de cruzeiro na próxima temporada em Balneário Camboriú. Na frieza dos números, cerca de 120 mil passageiros e tripulantes, projeção de 88 mil pessoas desembarcando e de R$ 40 milhões de movimentação econômica na região da foz do Itajaí. Melhor ainda: as operadoras passam a fazer "dobradinha" com Porto Belo, que terá 18 escalas. Longe da frieza dos números, o que isso significa? Milhares de empregos, salários e maior arrecadação de impostos para aplicação em setores básicos como a educação, a saúde e a segurança. 

Não pode haver 'case' melhor do que esse para ilustrar o que quero dizer a você sobre o setor que tem que ser guindado ao centro político e econômico do país. O turismo pode gerar dois milhões de empregos nos próximos quatro anos, mais do que o de energia eólica (200 mil até 2020), de comunicações (300 mil até 2022) e de óleo e gás (500 mil até 2020). É um mercado que representa 8,3 trilhões de dólares no mundo e 7,9% do PIB do Brasil. Mesmo com os avanços da tecnologia, o turismo não para de gerar empregos e é responsável por um em cada cinco postos de trabalho criados no planeta. 

Mas, infelizmente, os números do mercado turístico no nosso país ainda precisam melhorar muito. Veja: nós brasileiros deixamos 19 bilhões de dólares no exterior em 2017, mas os estrangeiros só gastaram aqui 5,8 bilhões, um déficit de 13,2 bilhões na balança comercial. Isso parece inexplicável para um país que foi eleito o número 1 do mundo em atrativos naturais. Mas há explicação sim: quando o quesito é priorização do turismo, somos o número 106 de 130 países analisados. Somado a isso, oferecemos aos empresários os piores ambientes de negócios do planeta. 

Quando se trata de investimentos privados no setor, ficamos muito longe de nações como os Estados Unidos (176,35 bilhões de dólares) e China (154,67 bilhões), com apenas 19,66 bilhões de dólares. Os investimentos públicos também deixam a desejar. Por exemplo: os Estados Unidos investem 127,7 bilhões de dólares, enquanto nós apenas 8,84 bilhões. 

O mundo inteiro já sentiu a importância do turismo. Não faz sentido o Brasil, campeão mundial de belezas naturais, não ter o turismo como uma das suas prioridades. Estamos falando em dobrar o número de visitantes estrangeiros para 12 milhões e inserir mais de 40 milhões de brasileiros no mercado de viagens. Chega de pensar no turismo como vagão. O turismo é locomotiva, não é consequência, mas sim uma das causas do desenvolvimento econômico. A sociedade precisa estar atenta, cobrando dos candidatos e dos próximos governantes.


Vinicius Lummertz
13 Agosto 2018 15:56:22

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Nos artigos anteriores percorremos o caminho do desenvolvimento catarinense - desde a colonização até o recente programa de "descentralização" que acabou por integrar todas as regiões - que faz de Santa Catarina hoje um estado diferenciado no país e também diante do mundo. No entanto, observamos que é hora de construir um novo projeto para os próximos 20 anos, missão do governador que assume em 2019.
E não há como vislumbrar esse projeto se ele não tiver entre seus alicerces dois setores que são vocações catarinenses: o turismo, que hoje já representa 12,5% do nosso PIB, e a Economia do Mar, que congrega os Recursos Oceânicos, Indústria Naval, Alimentos do Mar, além de Portos e Transporte Marítimo. Neste contexto, fundamental lembrar que Santa Catarina foi o projeto de industrialização autóctone mais bem-sucedido da América Latina: industrialização por conta própria, sem presença relevante de estatais e multinacionais. 
Ao contrário, mostramos aqui que o Estado teve um papel indutor no desenvolvimento dos atores/empreendedores privados. Com a industrialização em maiores proporções na China e mesmo em estados brasileiros de mão de obra barata, o que o futuro reserva a SC é caminhar para a agregação de valor: a revolução tecnológica, digital, da estética, das artes, do bom gosto. Fator central é a conexão com o adensamento das cadeias produtivas ao Turismo. A produção associada, como é o caso da Economia do Mar, é uma evidência. 
Também precisamos pensar já no planejamento do uso do nosso maior bem patrimonial: a Costa Catarinense, que necessita de urgente acomodação do Plano de sua ocupação. As vocações que disputam o litoral catarinense precisam ser pacificadas. Mata Atlântica, baías, praias, marinas, ecoturismo, cidades, portos, aeroportos, estaleiros, indústrias, todos buscam um lugar ao sol. Mas não temos plano para isso. Falo aqui como ex-secretário de Planejamento, consciente de que o que o investimento feito foi pontual e irrisório. 
A questão da relação do turismo com a produção associada poderá ser redentora das serras catarinenses, do vinho e dos alimentos para muito mais longe, com chances de fazermos mais e melhor - e com mais originalidade do que Gramado e Canela. Estamos diante de uma revolução industrial de proporções desconhecidas, mas sabemos pelas milhares de startups que proliferam aqui que o espírito empreendedor catarinense está presente. A venda da Decora por U$S 100 milhões é emblemática. 
O papel dos nossos governantes é, primeiro, o de entender o mundo, depois de perguntar ao povo catarinense sobre o que precisa para jogar o jogo, estabelecer prioridades, acelerar a indução e, sobretudo, garantir um ambiente sadio e juridicamente seguro. Depois é só confiar. Os catarinenses sabem fazer a sua parte.


Vinicius lummertz
06 Agosto 2018 09:05:39

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Desenvolvimento e turismo em SC (3)

No artigo anterior, fizemos um apanhado dos avanços sociais e econômicos que o Estado teve com o programa de "descentralização" implantado pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira a partir de 2003, e que completou seu ciclo por volta de 2015 - com a integração de todas as regiões. Porém, o próximo governador tem pela frente o desafio de trazer aos catarinenses um projeto de desenvolvimento sustentável para que SC dê um novo salto, como ocorreu nessas quase duas décadas.

Esse novo projeto tem que levar em conta, em primeiro lugar, o que não foi possível realizar em termos de infraestrutura ao longo de 15 anos, seja por falta de força política em Brasília, seja como consequência da recessão 2014/2017. O contencioso estrutural faz com que tenhamos enorme gargalos que podem comprometer boa parte do que foi feito. Por exemplo: de que adianta termos cinco portos eficientes e modernos, se não temos estradas para levar a produção até eles?

Assim, é prioridade de qualquer programa de governo a urgente união de esforços de toda a sociedade para a duplicação das BRs 470, 280 e 282. Também precisamos desenvolver o modal ferroviário, seja nos trilhos da já quase lendária Ferrovia do Frango, seja por um corredor que ligue nossos portos ao centro produtivo agroindustrial do Centro-Oeste do país. No mesmo diapasão, não podemos permitir atrasos na obra do novo Aeroporto de Florianópolis, fazer a Infraero colocar Correia Pinto, na Serra, em funcionamento, e investir em Joinville, Jaguaruna e Navegantes.

Quanto a Chapecó, o projeto é maior: o novo terminal a ser construído é na verdade um "hub", um centro de conexão nacional e internacional de passageiros/turistas e cargas num lugar estratégico como o Oeste.

Este "recall" da infraestrutura tem que ser realizado já com um novo projeto visionário para o Estado até 2040. Isso significa trocar o pneu com o carro andando. Porém, seja qual for o projeto, ele tem que contemplar dois setores que, na verdade, são interligados - o Turismo e a Economia do Mar. O primeiro - com todo o potencial e os milhões de turistas que recebemos todos os anos - já representa 12,5% do PIB de SC.

A chamada Economia do Mar congrega os segmentos de Recursos Oceânicos, Indústria Naval, Alimentos do Mar, além de Portos e Transporte Marítimo. Juntamente com outros 14 segmentos "portadores de futuro" no Estado, o Turismo e a Economia do Mar foram contemplados com um profundo trabalho de planejamento realizado sob a liderança da Fiesc - o Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC 2022). É sobre esta base que se pode (e deve) construir um programa de futuro para Santa Catarina, tema do próximo e último artigo desta série.


Vinicius Lummertz
31 Julho 2018 15:29:07

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Quando o recém-criado Observatório da Tecnologia, parceria entre a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) com a Fiesc, revela que o setor já representa 5,6% da economia catarinense, é hora de fazer uma profunda reflexão acerca da matriz de desenvolvimento que estamos atingindo em SC. No mesmo diapasão de nações que crescem de forma "moderna", nosso estado tende a buscar no conceito de "desenvolvimento territorial" - sobre o qual agora abro o debate -, um avanço sobre o "desenvolvimento setorial" que até hoje dominava nosso entendimento de progresso socioeconômico.   

Antes de me aprofundar nessa nova concepção, gostaria de voltar aos números da Tecnologia. Quando a Acate foi fundada, em 1986, eram 129 companhias em SC. Hoje são 12,3 mil empresas (crescimento de 10.000% em 30 anos), com receita média de R$ 1,255 milhão, mais de 16 mil empreendedores, aproximadamente 47 mil colaboradores e faturamento anual de R$ 15,5 bilhões. O maior polo tecnológico do estado é a Grande Florianópolis, que também se destaca nacionalmente. Com quase 4 mil empresas, seu faturamento total é de R$ 6,4 bilhões e emprega 16,5 mil pessoas.

Quando refletimos sobre esses números, percebemos que a tecnologia não é mais um "setor", mas permeia todas as áreas da economia, em todas as regiões, em todas as cidades. Assim, trabalha com a indústria, o comércio, os serviços, o turismo e o agronegócio em toda SC - e, todos eles interagem uns com os outros num ciclo contínuo. Desta forma, constatamos que a abordagem setorial não é mais suficiente para planejarmos o futuro e sim uma concepção territorial, que tem no seu cerne a vocação de cada micro ou macrorregião.

Antes pensávamos em compartimentos, por setor, porque ainda estávamos construindo a industrialização. E agora, o que vemos? Territórios que devem ser olhados pelas suas múltiplas vocações e diferenças. E entre essas vocações, o turismo sempre aparece em primeiro ou segundo lugar nos estudos realizados por instituições como a Fiesc, Fecomércio e Sebrae. Nesse novo cenário, bem mais amplo, turismo e logística atuam como catalisadores - são duas grandes vocações do estado independente de localização. E a tecnologia e a inovação são o mote, o fio condutor do desenvolvimento (para efeito de ilustração, importante dizer que hoje SC é um dos três estados integralmente ligados por fibra ótica).

Para aqueles que, como você, eu e nossos futuros governantes, temos o desafio de pensar no futuro de nossos filhos e de nosso estado, essa nova concepção é fundamental. É ver Santa Catarina como um todo, um território de desenvolvimento integrado, onde todos lutam igualmente por uma melhor qualidade de vida - e, por isso, as oportunidades também devem ser iguais.


Vinicius Lummertz
23 Julho 2018 07:51:17

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O desenvolvimento econômico é acima de tudo uma questão moral. Tenho absoluta certeza de que se o saudoso ex-governador Luiz Henrique lesse o editorial e a reportagem especial da edição de 7 de fevereiro da revista Exame ele se emocionaria às lágrimas. Desenhando um amplo cenário da economia brasileira do pós-recessão - e mostrando que a saída da crise é desigual entre os estados - o editorial Carta de Exame se intitula "O exemplo entre nós", e o exemplo mais perfeito escolhido pela revista foi o de Santa Catarina. Na reportagem, depois de enumerar as razões que levam o Estado a disparar diante dos demais e demonstrar que, se vários outros tivessem feito a lição de casa ao longo das últimas décadas, hoje estariam bem longe da crise, Exame lamenta: "O problema é que o Brasil não é Santa Catarina".

Para corroborar com o entusiasmo da revista com a economia catarinense, vou listar apenas alguns números recentes sobre o desempenho do Estado: 1) Arrecadação 7,3% maior do que em 2016 - cerca de R$ 24 bilhões; 2) Aumento de 4,5% na produção industrial também em relação ao ano anterior, o 2º melhor resultado do Brasil; 3) Comércio: 'crescimento chinês' de 13,5%, enquanto no país foi de 2%; 4) Exportações subiram 12%, chegando a US$ 8,51 bilhões. Poderia enumerar muitos outros dados impressionantes, mas faltaria espaço.

Mas, como chegamos a esta situação ímpar entre os estados brasileiros? Sem dúvida, temos que reverenciar em primeiro lugar os colonizadores europeus que aqui chegaram a partir da segunda metade do Século 19. Foram eles que realizaram a árdua tarefa de desbravar a terra e descobrir quais eram suas vocações econômicas. Fizeram isso de modo isolado, em cada região conquistada e, até recentemente, seria uma temeridade afirmar que Santa Catarina era um estado uno e integrado.

A segunda reverência deve ser atribuída aos "visionários" catarinenses. É assim que vamos chamar aqueles que, entre as décadas de 60 e 80, constituíram a 'intelligentsia' deste Estado, "pensaram" seu futuro e transformaram isso em obras e ações. Não quero nem vou ser injusto com dezenas de personalidades que constituíram este grupo, por isso vou citar apenas alguns exemplos, como o professor José Arthur Boiteux (fundação da UFSC), Glauco Olinger (agricultura), Aury Bodanese (cooperativismo), Celso Ramos (indústria), Colombo Salles (gestão pública) e o professor Alcides Abreu, um elo entre os integrantes do grupo e que esteve na alma da criação de instituições como o Besc, Badesc, Udesc, Celesc, UFSC e o BRDE.

O caminho estrutural indicado por esses "pensadores" teve a qualidade de ser respeitado pelos governadores desde então. Estava assim lançada a base do estado-empresa, que juntamente com o turismo, será abordado no artigo da próxima edição.


Vinicius Lummertz
16 Julho 2018 09:33:45

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O desenvolvimento econômico é acima de tudo uma questão moral. Não é usual pensar-se assim no Brasil. Aqui a associação é com seu inverso. As questões do desenvolvimento são normalmente associadas às questões materiais e, por isso, a correlação que se faz é do material com o impuro. 

Há várias definições de "desenvolvimento", mas fiquemos com a de Ignacy Sachs, um dos pais do termo "desenvolvimento sustentável", em 1982. E esta eu ouvi da boca do próprio professor: "É quando o crescimento econômico vem acompanhado de diminuição da pobreza e do desemprego". Simples assim. "E o sustentável?", perguntei. "Se não for sustentável é porque não é desenvolvimento", respondeu Sachs.  

Vejamos uma situação prática, para não ir longe. A singela comparação de um pai empregado e outro desempregado. O primeiro, João, está empregado porque houve uma empresa que pode fazê-lo. Porque conseguiu as licenças, crédito, apoio, impostos equânimes, capacitou seus colaboradores, geriu riscos, lucrou e cresceu. O desempregado, José, sem empresa para trabalhar, cedeu à bebida e à violência doméstica.  

Nenhum lugar do Brasil, nenhum, conta melhor esta história do que Santa Catarina. Estado das Herings e Dohlers. De Tupys, Consuls e Wegs, Sadias, Auroras, Perdigões e Batistellas. Metropolitanas, Cecrisas ou Coans. Hoje, Softplans ou Paradigmas. Líderes de polos que tiraram nosso Estado da pobreza de 70 anos atrás.  

Sim, o Brasil é um país injusto, mas estamos entre aqueles países de mais alta mobilidade social nos últimos 70 anos. A afluência social é a esperança de milhares de jovens que sonham trabalhar e crescer como o vereador Everaldo Dal Posso, o 'Italiano', de Penha, antes pedreiro do parque, hoje Rei Arthur no show Excalibur do Beto Carrero. 

Pensando bem, o desenvolvimento é uma questão moral, sim. Imoral é o seu contrário. Amorais talvez sejam os indiferentes ao diálogo como forma de construir um ambiente que venha a libertar as novas energias desenvolvimento - que no nosso passado mais singelo andavam soltas. 

Tudo isto é velho. Está na Torah, no nosso Velho Testamento - impedir o desenvolvimento é pecado. E digo eu: deveria ser crime, e será. Perguntem ao José, ou ao filho ou ao neto. Porque eles terão a resposta. Na ponta da língua ou na ponta da bala. 

Vinicius Lummertz - Ministro do Turismo


10 Julho 2018 10:01:00

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Santa Catarina é um Estado sem grandes metrópoles. A maioria das cidades são pequenas e médias, compostas por imigrantes vindos da Europa no final do século 19. Gente que trabalha duro, que leva uma vida frugal e tem a modéstia como marca registrada. É um Estado que não fala alto - mas fala sério. E que não aceita tutelas nem censuras, como ultimamente o comissariado da União tem tentado fazer.

Se fôssemos interpretar o que seria uma ideologia catarinense, eu diria que ela é, basicamente, conservadora nos costumes, voltada para a família e o trabalho sob uma forte herança de comunitarismo europeu. De onde deriva um alto "capital social", na definição de Robert Putnam. Acima de tudo, a mentalidade catarinense ainda reflete a forte herança da saga colonial. A fuga da Europa para cá tem origem na mesma motivação das famílias que foram em busca de liberdade e oportunidade nos Estados Unidos.

O modelo de ocupação do Sul do Brasil pelo Império é o mais aproximado da formação dos primeiros estados norte-americanos. Portanto, esse conservadorismo é libertário - buscava escapar dos poderes feudais e eclesiásticos. Trata-se de um conservadorismo liberal, principalmente na economia. Na mala europeia, sobretudo, no baú das igrejas vieram alguns elementos dissonantes da visão majoritária. Estavam dentro da Igreja Católica e foram "ativados" pela encíclica Rerum Novarum, de João XXIII - na chamada opção pelos pobres. Um padrão estético fácil se olharmos pelas lentes de Bertolucci no filme Novecento. É basicamente a esquerda do bispo Dom José Gomes, de Chapecó, berço do Movimento dos Sem-terra no Brasil - sob o paradoxo de ter origem no Estado de melhor distribuição de terras do Brasil.

A vitoriosa e marcante experiência da industrialização catarinense teve a marca do Estado com base em Florianópolis, com a criação de um modelo institucional que funcionou como plataforma para o empreendedorismo de origem colonial-conservador-liberal. Santa Catarina também foi berço do movimento nacional das micros e pequenas empresas, com base em Blumenau e Joinville. E hoje se projeta como a terra das startups - uma cara nova da ideologia catarinense.

A ideologia catarinense assim se desenha. Fala pouco de si. Explica-se por fatos e ações. Somos um Estado pragmático. E o que quer a ideologia catarinense? Um Estado que funcione como plataforma e que interfira pouco na economia. Rechaça tutelas e, com respeito e educação, diz não à interferência do ativismo judicial com base nos palácios de vidro de Brasília.

A ideologia catarinense quer liberdade para trabalhar, produzir e crescer - e sabe socializar os frutos do seu trabalho.





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