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Ismael Ewald Limberg

Passou Pelo Testo

A César o que é de César...

E ao trabalhador, as migalhas. Dentre as coisas mais cruéis já praticadas pelos governantes brasileiros contra os cidadãos, reside a difusão sistêmica do pensamento de que está somente no Estado a salvação para todos os problemas. É o Estado que deve dizer qual valor mereço receber como salário. É o Estado que deve ficar com a minha poupança (FGTS) e decidir quando posso acessar meu próprio dinheiro. É o Estado que deve determinar o pagamento do 13º salário para que eu possa tirar a corda do pescoço no fim do ano e pagar minhas dívidas, geradas por uma injusta carga tributária determinada por eles. O Estado... Que estado crítico!

É cruel, sim. Pois dá à população, sobretudo aos mais humildes, a ideia de que devemos nos curvar para beijar os pés daqueles que pisam em tapete de ouro, comprado com o dinheiro dos cidadãos. É cruel também porque cria uma divisão cegante, que coloca o empresário como o vilão, aquele que não dá aumento no salário porque é muquirana. Mal sabe o colaborador que, em 90% dos casos, o patrão está dançando na corda bamba. Os impostos e encargos são pesados, inclusive, sobre a folha de pagamento, estrangulando as finanças da empresa.

Felizmente, este quadro criado por uma doutrinação perversa está mudando, ainda que lentamente. Muito desta resistência vem de dois fatores intrínsecos à história da humanidade e que regem o mundo: a necessidade da mudança e o medo de que ela chegue. A segunda disfarça cabrestos como direitos; retrocesso como proteção e controle como liberdade.

Para nosso alívio, o medo começa a ser vencido. De acordo com uma pesquisa do Instituto Datafolha, metade dos eleitores prefere ser autônomo a ter emprego CLT. Os 50% dos entrevistados que optaram por esta modalidade citaram os salários mais altos como justificativa. Outros 43% ainda preferem ser assalariados, pagando mais tributos, mas com os direitos trabalhistas regidos pela CLT.

Quando há carteira assinada, o trabalhador tem direitos como férias remuneradas e 13º salário. Em contrapartida, soma deduções como o desconto de 8% a 11% para o INSS. Nesta modalidade a empresa também tem que recolher a contribuição previdenciária, equivalente a 20% da folha de pagamento e recolher a Fundo de Garantia, que corresponde a 8% do salário bruto do funcionário. Além dos demais encargos.

Na esteira dos desmandos políticos e roubos astronômicos, reformas mais do que necessárias foram taxadas de injustas. Claro, não ajudou o fato de serem elaboradas por mãos manchadas pela política podre. Mas como assim as reformas me favorecem? Questiona você. Da seguinte forma: contratar custa caro, demitir nem se fala. Delimito agora este debate à contratação. Vamos tornar esta discussão bastante real. De uma forma simples, calculemos quanto o salário vale para quem recebe e quanto custa para quem paga. Pense da seguinte forma: se um colaborador tiver o salário de R$ 1 mil, dos quais ainda tem descontados em folha parte do INSS e FGTS, ele custa o dobro, isso mesmo, R$ 2 mil para quem paga.

E se a folha de pagamento fosse desonerada como em muitos países de primeiro mundo? Ou se essa negociação dissesse respeito apenas às partes interessadas, sem interferência do Estado. Se ao invés de pagar R$ 1mil, o empresário pudesse, de fato, pagar ao empregado R$ 2mil, sem que para isso tenha que desembolsar R$ 4 mil, (metade para o Estado).

E com isso, ao invés de possuir um FGTS nas mãos do Estado, o dinheiro viesse para as suas mãos e você decidisse no que investir. Quem sabe aí, então, torne-se desnecessário aguardar pelo milagre do 13º, já que você receberia mais durante todo o ano. Ou, mais impensável ainda, e se não tivesse que esperar ser demitido, aposentado ou doente para usufruir de um dinheiro que é seu. Percebe a incoerência das amarras daquilo que eles dizem proteger? Percebe que assim todos estão engessados, tanto os empregadores quanto os empregados? Está na sua mente agora o fato de que estamos nivelando tudo por baixo? Sabe por quê? Porque neste jogo, todos perdem.

Aí você me questiona: você é contra os direitos trabalhistas? Definitivamente não! Sou a favor, sobretudo, do direito de escolha. Por isso, defendo uma negociação mais direta entre empregadores e empregados no que diz respeito à remuneração, sem interferência do Estado. Para que o dinheiro vá para o bolso de quem trabalhou por ele, não que seja jogado na esteira de um injusto Pacto Federativo que se mostra ineficiente para solucionar os problemas dos cidadãos.

Precisamos nos unir e jogar a vara niveladora para cima. As últimas eleições mostraram que estamos perdendo o medo da mudança. Devemos abraçá-la como uma velha amiga e seguir com ela ao encontro do futuro de uma relação mais justa entre capital e trabalho, pois o dinheiro deve ir para bolso de quem trabalhou por ele. 


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